CPT - Centro de Produções Técnicas

Pesquisas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, apontam que o preço médio recebido pelo produtor se manteve praticamente estável frente a julho, conforme esperavam os agentes de mercado. Em agosto, o valor líquido foi de R$ 0,7872/litro, ligeira alta de 0,8% frente ao mês anterior – o preço médio bruto (inclusos frete e impostos) foi de R$ 0,8547/litro. Esses valores representam as médias dos estados de RS, SC, PR, SP, MG, GO e BA ponderadas por suas respectivas produções. No mês de julho, o Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-Leite) registrou avanço de 7% na região Sul. Houve aumento em torno de 9% no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina e de 2,7% no Paraná. Na média ponderada dos mesmos sete estados, o Índice avançou 2,7% sobre junho, atingindo nível 7,9% maior que o do mesmo mês de 2011. Pesquisadores do Cepea, no entanto, ressaltam que, naquele período, a safra na região Sul havia diminuído em função de adversidades climáticas, o que justifica o expressivo aumento anual. De modo geral, agentes do setor afirmam que não há excedente de oferta de leite. Apesar da maior produção sulista, a captação de leite diminuiu nas demais regiões do País, tendo em vista a entressafra, agravada, na região Nordeste, pela forte estiagem. Pesquisadores do Cepea avaliam que o cenário atual é crítico tanto para os produtores quanto para as indústrias. Pesquisas do Centro mostram que os custos de produção de leite continuam avançando com a alta do milho e do farelo de soja, e não há expectativa de melhora desse quadro no curto prazo para o pecuarista leiteiro. Isso tem agravado o endividamento desses produtores e tende a reduzir os investimentos na atividade. Quanto aos preços que têm recebido, estão 2% inferiores (em termos nominais) aos de agosto/11, observam os pesquisadores. No caso dos laticínios, os preços no atacado também continuam abaixo dos registrados no mesmo período de 2011. Considerando-se a média das cotações diárias no estado de São Paulo, em agosto, o leite UHT (média de R$ 1,81/litro) esteve 8% abaixo da média de um ano atrás e o queijo muçarela (R$ 10,61/kg), 7% também inferior, em termos nominais – essa pesquisa do Cepea tem o apoio financeiro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL). Dessa forma, pesquisadores estimam que a margem bruta da indústria (considerando-se apenas os custos com a matéria-prima) caiu 13% no caso do leite UHT e 24% no caso do queijo muçarela no mesmo período. No comparativo com julho, os dois derivados lácteos tiveram leve reação em agosto, em torno de 1%. Ainda assim, agentes do setor relatam que a demanda segue retraída, limitando as negociações. A expectativa da maior parte dos representantes de laticínios/cooperativas consultados pelo Cepea é de estabilidade dos preços no pagamento de setembro aos produtores (referente à produção de leite entregue em agosto): 67% dos entrevistados, responsáveis por 80% do volume de leite amostrado, acreditam que o preço se mantenha estável no próximo mês. Para 19% dos compradores (que representaram 8% do volume de leite), deve haver alta de preços, e apenas 14% dos agentes (responsáveis por 12% do volume da amostra) esperam queda. AO PRODUTOR: No mês de agosto, houve ligeiros aumentos de preço do leite na maior parte dos estados pesquisados pelo Cepea no Sudeste e Centro-Oeste. Em São Paulo, o preço médio líquido foi de R$ 0,8243/litro, alta de 2% frente a julho. Em Minas Gerais, o valor médio foi de R$ 0,8020/litro, acréscimo de 1% em igual período e, em Goiás, a alta foi de 0,7%, com média de R$ 0,7993/litro. No Rio de Janeiro, houve aumento de 1% no preço médio, a R$ 0,8357/litro. Em Mato Grosso do Sul, a reação chegou a 7%, com a média indo para R$ 0,6968/litro. Já no Espírito Santo, houve ligeira queda de 0,2%, com o litro a R$ 0,7798. No Sul do País, o preço médio líquido registrou ligeiro recuo de 1,2% no Rio Grande do Sul, com média de R$ 0,7334/litro. No Paraná, houve alta de 0,2%, com o litro a R$ 0,7653 e, em Santa Catarina, o ajuste positivo foi de 2,6%, com média de R$ 0,7682/litro. No estado catarinense, agentes consultados pelo Cepea argumentam que o aumento de preços (apesar da maior produção) é explicado pela tentativa de se estimular os produtores a manter o fornecimento de leite, especialmente na mesorregião oeste catarinense. Nos últimos meses, alguns laticínios sentiram redução do número de fornecedores em função da queda de preços. Entre fevereiro e julho, houve redução de 7% no preço médio, a maior queda entre os estados acompanhados no período. Na Bahia, de julho para agosto, houve leve recuo de 0,3%, com preço médio a R$ 0,7951/litro. No Ceará, a variação, também pequena, de 0,2%, foi positiva, com o produto a R$ 0,8187/litro. Fonte: Boletim do Leite/CEPEA/USP, adaptado pela Equipe Milknet 31/08/2012

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