CPT - Centro de Produções Técnicas

Um grupo de criadores de ovinos de Mato Grosso se prepara para atender o mercado consumidor de cordeiros do Estado de São Paulo. Para contribuir com esse avanço na cadeia produtiva da ovinocultura e ajudar a minimizar um dos gargalos do setor que é a falta de mão de obra qualificada, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT) passa a oferecer um novo treinamento: Produção comercial de cordeiros para corte. O criador de ovinos, Giorgi Kuyumtzief, conta que na segunda quinzena de setembro a primeira remessa com 100 carcaças será embarcada para São Paulo, para ser avaliada e validar a negociação, que tem o objetivo de fornecer 600 cordeiros por embarque a uma empresa paulista. Kuyumtzief atua na região de Tangará da Serra (a 244 km de Cuiabá) e é um dos organizadores da “Parceria do Cordeiro”, uma iniciativa de ovinocultores de Tangará, Campo Novo do Parecis, Sapezal e Brasnorte para fomentar a cadeia produtiva em Mato Grosso. “Queremos nos organizar para difundir a atividade e garantir volume e qualidade adequados para atender a demanda do mercado consumidor”, conta. A “Parceria do Cordeiro” teve início em 2013. Os criadores contavam com 700 matrizes das raças Santa Inês e Dorper e até o final deste ano a expectativa é que o rebanho chegue a 1000 matrizes. “Nossa meta é chegar em três anos a 10 mil matrizes e em cinco anos, 50 mil matrizes”, revela. “Estamos trabalhando o cruzamento das raças Santa Inês e Dorper, que irá gerar um animal meio sangue Dorper, garantindo um rebanho com boas características para corte”. A raça Dorper cresce rapidamente e alcança peso elevado no desmame, o que é uma característica economicamente importante na produção de ovinos tipo carne. O peso vivo de aproximadamente 36 kg pode ser alcançado pelo cordeiro Dorper com uma idade de 3 a 4 meses. Isto assegura uma carcaça de qualidade elevada de aproximadamente 16 kg. Já a Santa Ines é uma raça de carne e pele. As fêmeas são boas criadeiras, com frequentes partos duplos e excelente capacidade leiteira. De acordo com Kuyumtzief, o mercado exige o produto mais nobre da ovinocultura que é a carne de cordeiro, ou seja animal jovem com até seis meses. “A carcaça tem que atender a critérios, respeitando padrões como tamanho, peso, percentual de gordura e idade”, cita. ”Mato Grosso possui clima favorável para a otimização da genética dos animais e uma grande oferta de alimento, principalmente do milho, barateando o custo da produção. Esses fatores garantem a qualidade necessária para atender as exigências dos consumidores e rentabilidade aos criadores”, explica. “A ‘Parceria do Cordeiro’ tem a projeção de conseguir cerca de R$ 100 de lucro por cada matriz ao ano”. Apesar de avanço para a cadeia produtiva da ovinocultura, a falta de mão de obra qualificada ainda é apontada como um dos empecilhos no desenvolvimento do setor. Com o treinamento “Produção comercial de cordeiros para corte”, de 40 horas, o Senar-MT tem como objetivo ajudar a minimizar essa dificuldade. De acordo com o superintendente do Senar-MT, Tiago Mattosinho, o treinamento visa que ao final do treinamento o participante conheça o processo de produção de carcaças, seguindo técnicas e procedimentos para atender o mercado consumidor de carne de cordeiro. “O treinamento atende a uma demanda do criador de ovelhas que busca produzir de acordo com a necessidade do consumidor”, explica. Durante o aperfeiçoamento o participante irá aprender os princípios básicos da produção de cordeiro para corte. O conteúdo do curso ainda aborda outros assuntos como as principais raças, toda parte de manejo sanitário, passando por alimentação, nutrição até o cruzamento desses animais. Giorgi Kuyumtzief, que também é instrutor credenciado junto ao Senar-MT, diz que o treinamento irá contribuir e muito para a consolidação da produção de carne de cordeiro em Mato Grosso. “A ovinocultura em Mato Grosso está entrando em uma nova era. Antes formada por simpatizantes da criação de ovelhas e agora por produtores que buscam alternativas para diversificar a produção de sua propriedade com rentabilidade”. O mesmo pensamento é compartilhado pelo secretário da Associação Mato-grossense dos criadores de ovinos (Ovinomat), Hernandes Piccoli. “A ovinocultura é um dos setores da pecuária que mais cresce e mais remunera o produtor. Para obter essa renda é preciso investir no profissionalismo, ou seja, em conhecimento técnico”, argumenta. Na opinião de Piccoli, este novo treinamento do Senar-MT atende a necessidade do setor. “Com este esse curso vamos treinar pessoas para produzir o produto que o mercado está demandando neste momento, que é o cordeiro”. CARNE – Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) apontam que cada brasileiro consome, em média, 0,7kg de carne ovina por ano, o que coloca esse tipo de alimento na 5ª posição entre as carnes tradicionais. A produção se concentra na região nordeste e sul do Brasil com destaque para o Rio Grande do Sul e Bahia. O rebanho brasileiro estimado é de cerca de 16 milhões de cabeças. Segundo informações do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), em 2013 o rebanho mato-grossense era de aproximadamente 2 milhoÞes de cabec’as, com uma taxa de crescimento de 27% ao ano, respondendo por cerca de 11% do rebanho nacional. O Estado possui abatedouros em Alta Floresta, Cáceres, Campo Novo do Parecis, Confresa, Juina, Primavera do Leste, Rondonópolis, Tabaporã e Tangara da Serra. Os interessados em fazer o novo treinamento do Senar-MT da Cadeia da Ovinocultura ou outras capacitações devem procurar o sindicato rural do seu município ou em caso de não haver sindicato, a prefeitura que é parceria da entidade de ensino rural. Todos os treinamentos ofertados pela entidade são sem custo para o participante.

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