CPT - Centro de Produções Técnicas

Além do aumento do consumo de lácteos, a alta reflete o próprio crescimento da produção nacional de leite e os investimentos feitos pelas empresas em novas categorias e em aquisições. No levantamento anterior, quando as empresas enfrentavam baixa rentabilidade, o avanço havia sido de apenas 1,6%. O ranking com os 12 maiores laticínios elaborado pela Leite Brasil – associação que reúne produtores – mostra, mais uma vez, a DPA Manufacturing Brasil como maior compradora de leite do país em 2013, com um volume de 2,033 bilhões de litros, um incremento de 3,8% sobre o ano anterior. A DPA Manufacturing Brasil adquiria leite para Nestlé, Fonterra, DPA Brasil, DPA Nordeste e Nestlé Waters. Em maio passado, a neozelandesa Fonterra e a Nestlé desfizeram a parceria na captação de leite, o que deverá se refletir parcialmente no próximo levantamento. Embora a DPA no primeiro lugar não surpreenda, há novidades no ranking de 2013. Pela primeira vez, a BRF forneceu dados para o levantamento. A empresa ficou em segundo lugar no ranking, com captação de 1,377 bilhão de litros, um recuo de 10,4% sobre 2012. Outra mudança é a saída do ranking da LBR – Lácteos Brasil, que em 2012 ocupava o segundo lugar entre os maiores laticínios, com uma captação de 1,576 bilhão de litros. Em recuperação judicial, a empresa reduziu a captação, tenta vender ativos e negocia a entrada de investidores em seu capital. Também deixou de fornecer dados ao levantamento a Italac, que em 2012 era a quarta na captação. No novo ranking, a cooperativa Itambé, que em fevereiro de 2013 vendeu 50% de participação na Itambé S.A para a Vigor, segue em terceiro lugar. A empresa recebeu 1,056 bilhão de litros de leite, 10,6% mais do que em 2012. Com a saída da Italac do ranking, o Laticínios Bela Vista passou a ocupar o quarto lugar, com captação de 828,6 milhões de litros, um avanço de 30,5% no ano. Em quinto lugar ficaram as cooperativas paranaenses Castrolanda e Batavo, que atuam juntas no segmento de lácteos, e estavam em sétimo no ranking anterior. A Embaré manteve a sexta posição, com 527,7 milhões de litros, um incremento de 12,6%. Outros destaques do ranking são a Danone, que subiu para o sétimo lugar e elevou a aquisição de leite em 23,6% de 2012 para 2013, alcançando 448,7 milhões de litros. A Vigor, controlada pela J&F, subiu para a décima posição – era a 12ª na pesquisa anterior – e teve uma captação de 280 milhões de litros em 2013, aumento de 26,8%. A Centroleite (Central de Laticínios de Goiás) ficou em 11º lugar. No último posto do ranking ficou a paranaense Frimesa, com captação de 219,6 milhões de litros, aumento de 16% em relação a 2012, segundo a Leite Brasil.. O presidente da associação, Jorge Rubez, observa que 2013 foi um ano de aumento na produção de leite e também no consumo, o que explica a maior captação pelos laticínios. Segundo dados do IBGE, a produção inspecionada de leite em 2013 avançou 5,5%, para 23,55 bilhões de litros. Para Rubez, esse aumento se deve ainda à maior formalização da produção, estimulada por preços mais altos em 2013. Marcelo Pereira de Carvalho, analista da Milkpoint, afirma que a expectativa é de novo avanço na produção nacional inspecionada de leite este ano. A previsão é de um crescimento entre 5% e 7%, reflexo dos preços mais valorizados em 2013, que estimularam os produtores a investir na suplementação da alimentação do gado e a não descartar animais. Novata no ranking, a BRF informou, em nota, que a queda na captação entre 2012 e 2013 se deve à estratégia da companhia de focar "em um mix de maior valor agregado" e de reduzir "a produção de leites UHT, com consequente diminuição da dependência de captação". Segundo a empresa, a estratégia gerou um crescimento de 3,5% no faturamento líquido da divisão. De fato, a BRF tem reduzido a aposta no segmento de lácteos. Até mesmo admitiu, no começo do ano, que pode fazer parcerias nessa divisão ou mesmo vendê-la total ou parcialmente. O presidente da Vigor, Gilberto Xandó, avalia que 2013 foi um "ano especial para o leite". Apesar do custo mais alto da matéria-prima, as margens boas no leite UHT estimularam grandes companhias a produzir mais, explica. A Itambé, na qual a Vigor tem 50%, teve crescimento "importante" nas categorias longa vida e leite em pó, justamente por conta desse cenário, diz. Já o avanço da captação da Vigor, "que depende muito pouco de UHT", decorre da aquisição no fim de 2012 da fabricante de queijos MB, cuja capacidade de produção foi dobrada. Com a aquisição, a Vigor passou a produzir a maior parte do parmesão que comercializa com a marca Vigor. Segundo Xandó, até setembro a compra de terceiros deve ser zerada. "Trouxemos a produção de queijo parmesão para dentro para que não haja oscilação de qualidade", afirma. A categoria de iogurtes gregos da empresa também contribui para maior captação, segundo Xandó. Para este ano, diz, a previsão é de estabilidade na compra de leite. No caso da Danone, o forte incremento na captação decorre do lançamento de duas novas linhas de produtos no segundo semestre de 2013, diz William Alves, diretor de compras de leite da empresa. "Lançamos o iogurte Dânio, que é rico em proteínas, e o requeijão, que demandam consumo mais elevado de leite", explica. "Nosso crescimento é bem superior ao da produção no Brasil", ressalta. Segundo ele, a previsão é que este ano a captação da Danone cresça entre 8% e 10%. Os números da captação da companhia que constam do ranking só consideram o volume para a produção de iogurtes e requeijão. O volume para produção de longa vida (cerca de 100 milhões de litros por ano) não está incluído nos dados da pesquisa.

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