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Apesar de registrar melhor desempenho operacional no primeiro trimestre, a BRF viu seu lucro líquido cair mais de 10%, em meio à pressão decorrente de despesas do processo de reestruturação e gastos mais elevados com juros e na fixação dos preços do milho no mercado futuro. No balanço divulgado ontem, a BRF reportou um lucro líquido de R$ 315,4 milhões entre janeiro e março, queda de 12% na comparação com o mesmo intervalo do ano passado (R$ 358,5 milhões). Entre os fatores que mais influenciaram a queda do lucro estão as despesas financeiras de R$ 196,5 milhões, 93,1% maiores que no primeiro trimestre de 2013. A maior parte dessas despesas derivou de gastos com juros e com a fixação dos preços do milho, insumo essencial, no mercado futuro. Principal componente da ração animal, o grão já subiu quase 20% na bolsa de Chicago neste ano. Além disso, a BRF ainda é afetada pelas mudanças que estão sendo feitas em sua gestão, no âmbito do processo de reestruturação iniciado após a chegada do empresário Abilio Diniz à presidência do conselho de administração da companhia, há um ano. No primeiro trimestre, as despesas "não recorrentes" relacionadas ao processo de reestruturação totalizaram R$ 46 milhões. Do ponto de vista operacional, a reestruturação também influenciou a empresa. No primeiro trimestre, a BRF teve uma receita líquida de R$ 7,339 bilhões, crescimento de 1,8% na comparação com os R$ 7,209 bilhões do mesmo intervalo de 2013. A composição da receita líquida já mostra sinais das mudanças feitas pela nova gestão. No período, a BRF conseguiu ampliar o faturamento mesmo com a redução de 7,4% do volume vendido – principalmente nas exportações -, o que indica aumento do preço médio dos produtos. Entre janeiro e março, a BRF vendeu 1,3 milhão de toneladas de produtos. No período, 57,3% da receita líquida da BRF foi gerada no mercado interno. No primeiro trimestre, a BRF também elevou em 7,1% seu lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) na comparação entre os primeiros trimestres de 2013 e 2014, para R$ 861 milhões. A margem Ebitda da companhia também avançou, passando dos 11,1% apurados há um ano para os 11,7% do primeiro trimestre. No período, a empresa gerou fluxo de caixa livre de R$ 1,1 bilhão Em relação às dívidas, a BRF registrou melhora. Em 31 de março, a dívida líquida da companhia totalizava R$ 5,990 bilhões, uma retração de 11,7% na comparação com a dívida de R$ 6,784 bilhões que a empresa registrou no fim do quarto trimestre do ano passado. Com isso, o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) da empresa ficou em 1,88 vezes, abaixo das 2,17 vezes no trimestre imediatamente anterior. No balanço divulgado ontem, a BRF reafirmou, ainda, sua meta de investir R$ 1,5 bilhão ao longo de 2014. No primeiro trimestre, os investimentos da empresa somaram R$ 336 milhões, queda de 46,1% na comparação anual.

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