CPT - Centro de Produções Técnicas

Os produtos orgânicos devem movimentar quase R$ 2,5 bilhões em 2015. Para atender este mercado, muitos produtores estão investindo no segmento. Nossa equipe de reportagem visitou uma das principais propriedades produtoras de leite orgânico do país, para conhecer os segredos da atividade onde pecuária e natureza convivem em harmonia. Escondida entre as serras do interior paulista, a fazenda de Ricardo José Schiavinatto é referência quando o assunto é produção de leite orgânico. Mas nem sempre foi assim. O produtor ingressou na atividade há oito anos e conta que após acumular inúmeros prejuízos com a produção de leite tradicional, decidiu procurar uma nova fonte de renda. – Eu produzia leite em um sistema semiconfinado, onde minha vacada comia capim picado no cocho com cevada, e eu não via resultados nesta forma de trabalho. Os custos eram muito altos e eu não conseguia ter lucratividade na atividade. Foi aí que eu conheci a produção de leite orgânico e comecei a tirar o gado do cocho e passei o gado para as pastagens – descreve Schiavinatto. <b>O que era um sonho virou realidade</b> Hoje, a fazenda possui 64 vacas em lactação e produz 1300 litros de leite por dia. A área total da propriedade é de 102 hectares, mas apenas 25% é destinado à pecuária. O restante são as reservas legais. A certificação de produtos orgânicos exige vários cuidados na propriedade, que variam desde a água consumida pelos animais até a manipulação final dos produtos. Logo no nascimento, os bezerros são alojados em ambientes descontaminados e recebem o colostro duas vezes ao dia. O manejo sanitário é feito apenas com produtos homeopáticos e a alimentação do concentrado e do volumoso é feita com ingredientes naturais. – A partir do momento em que você tem de fato uma doença, aí o prejuízo está instalado, e aí você precisa tratar essa doença. Dentro da produção orgânica, você precisa preservar a vida do animal também como prerrogativa. Então, não é que o uso da medicação é absolutamente proibida, ela é absolutamente restrita e controlada – explica o técnico da Embrapa Pecuária Sudeste, Marco Aurélio Carneiro. Após a desmama, os animais são criados a pasto e a vegetação é tratada como cultura. Os piquetes são adubados com compostos orgânicos: a quantidade varia de 30 a 40 toneladas por hectare. Além disso, também são utilizados calcário e cama de frango compostada. A água destinada à irrigação da pastagem vem direto de poços artesianos para evitar a contaminação. – Uma estratégia que foi adotada aqui na propriedade, que foi sugestão do próprio produtor, foi ao invés de colocar a lotação máxima que a pastagem pudesse permitir, que seria no caso dez vacas por hectare, nós estamos trabalhando com 30% a menos, ou seja, 7 vacas por hectare. Com isso, o restante da pastagem é roçado e como a relação carbononitrogênio é muito próxima, há uma decomposição muita acelerada desse material, que se torna uma espécie de adubação verde para a própria pastagem – conta o pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste Artur Chinelato de Camargo. A fazenda possui nove sistemas de pastejo rotacionado – cada um com uma variedade de capim. Um deles, por exemplo, é de grama estrela africana. Cada dia os animais passam por um piquete diferente e a fartura de alimentos faz diferença, já que a média anual da fazenda é de 20 mil litros de leite por hectare. Com tantos detalhes, o custo de produção é cerca de 30% mais caro do que a média das propriedades tradicionais. Mas os investimentos valem a pena. O litro do leite orgânico é comercializado a R$ 1,60, quase 60% a mais do que a média nacional. – Nós estamos vivendo um momento muito delicado da própria sociedade em termos da degradação que a gente tem, essa questão do clima… E as pessoas acabam associando isso também à questão da degradação ambiental. O trabalho da agricultura orgânica, do leite orgânico, tem tudo a ver com a questão da preservação ambiental. Então, a pessoa está disposta a pagar esse preço para que tenham mais produtores de leite orgânico no mundo – projeta Schiavinatto.

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