A abertura comercial realizada no início dos anos 90 e a retirada do tabelamento de preços do leite provocaram uma crise profunda no setor de laticínios e na produção leiteira brasileira. Além disso, a disseminação da embalagem longa vida, com validade próxima a seis meses, atenuou a crise de abastecimento da entressafra e minimizou problemas de estocagem da abundância de produção na safra.

A indústria de laticínios foi obrigada a reformular suas linhas de produção, construir novas unidades, principalmente para produção de leite em pó e derivados lácteos, ampliou o mix de produtos e investiu, também, em processos logísticos de captação do leite, aumentando a coleta a granel.
O BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social participou de todos esses processos tanto da modernização da indústria de laticínios como da produção leiteira, estes através do Propasto – que financia as melhorias de condições de manejo – e do Proleite – que, criado em julho de 1999, financia tanques de resfriamento. Nessa época, o BNDES abriu uma linha de crédito da ordem de R$ 200 milhões, visando modernizar a pecuária leiteira, financiando a aquisição de máquinas e equipamentos para o setor. Resfriar mais de 60% da produção de leite brasileiro em tanques de expansão representou um grande avanço na batalha em busca da qualidade. E isto foi um grande mérito do setor, tanto do lado da indústria, quanto do produtor.

Embora as empresas agroindustriais, em sua maior parte, tenham realizado uma modernização para manter a competitividade, incorporando em suas linhas de produção máquinas e equipamentos mais eficazes, a demanda por maior eficiência, exercida sobre os outros elos da cadeia, gerou, nestes, inovações tecnológicas nos processos, máquinas, equipamentos, produtos e insumos.

Essas inovações chegariam ao mercado com altos preços, devido aos custos de pesquisa e desenvolvimento. Porém, pela sua difusão, puderam ser produzidas ou aplicadas em escala, diminuindo os preços e tornando-as acessíveis a um maior número de empresas.

A incorporação de novas tecnologias tem sido facilitada pela existência de recursos que possibilitem às empresas incorporá-las com menor sacrifício. Se, por um lado, a escala permite diluir os custos de produção, por parte do produtor das inovações, por outro o pagamento a longo prazo do financiamento induz o comprador à incorporação em seu processo produtivo de equipamentos com maior tecnologia, a fim de maximizar o resultado de sua modernização. O crédito de longo prazo é, portanto, fator fundamental para a difusão de novas tecnologias e importante indutor da pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e processos.

Através do Finame, o BNDES oferece financiamentos, sem limite de valor, para aquisição isolada de máquinas e equipamentos novos, de fabricação nacional, credenciados pelo banco, através de instituições financeiras (veja quadro). Os encargos são medidos através da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo). A remuneração do BNDES é de 1% ao ano para pessoas físicas, micro, pequenas e médias empresas, e de 2.5% a 4% ao ano para grandes empresas. Já a remuneração da instituição financeira credenciada é feita entre a instituição e o cliente. Nos casos em que as operações são garantidas pelo fundo de aval FGPC – Fundo de Garantia para Promoção da Competitividade, a taxa de remuneração da instituição é de até 4% ao ano.
O prazo para pagamento de financiamentos de até R$ 10 milhões é de até 60 meses. Ultrapassado esse limite, o prazo é definido em função da capacidade de pagamento do empreendimento, mediante consulta prévia.
Nos casos de operações de valores superiores a R$ 10 milhões; para aquisição de equipamentos com índice de nacionalização inferior a 60%; com percentual de participação do BNDES incidindo sobre o valor total do equipamento; e de financiamento à produção (linha Finame-Fabricante), os interessados devem consultar previamente o BNDES, por intermédio da instituição financeira, encaminhando seus pleitos de acordo com os roteiros constantes dos Anexos IX e X, da Circular nº 187, de 02/04/2004 (disponível no site www.bndes.gov.br), para o seguinte endereço:

BNDES – Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social
Área de Operações Indiretas – AOI
Departamento de Financiamento a Máquinas e Equipamentos – DEMAQ
Av. República do Chile nº 100 – 17º andar – Centro
20031-917 – Rio de Janeiro – RJ

Nos casos de financiamentos de máquinas e equipamentos fabricados no Brasil, credenciados no BNDES, que apresentem índices de nacionalização, inferiores a 60%, o nível de participação deverá tomar por base o valor da parcela nacional do bem e o valor total do bem, sendo o custo financeiro a variação de moeda estrangeira. Para efeito de apuração do índice de nacionalização dos produtos a serem credenciados, são considerados como de fabricação nacional os componentes importados dos países integrantes do Mercosul, desde que a empresa fabricante do componente esteja sediada nestes países e seu controle seja exercido por residentes locais. O site do banco disponibiliza uma lista das máquinas e dos equipamentos cadastrados, além dos procedimentos para cadastramento.

Em 2004, o banco lançou o Modermaq – Programa de Modernização do Parque Industrial Nacional. O Programa, nos termos da Resolução nº 3.227, de 05.08.2004, do BACEN – Banco Central do Brasil, objetiva financiar a aquisição de máquinas e equipamentos novos, de fabricação nacional, credenciados no BNDES, com vistas à modernização do parque industrial nacional e à dinamização do setor de bens de capital. As operações serão realizadas, exclusivamente por meio das instituições financeiras credenciadas. Poderão participar do programa empresas enquadradas na CNAE – Classificação Nacional de Atividades Econômicas como indústria extrativa, de transformação ou construção, à exceção de investimentos destinados a empreendimentos imobiliários, tais como edificações residenciais, time-sharing, hotel-residência e loteamento; pessoas jurídicas de direito privado, sediadas no Brasil, cujo controle efetivo seja exercido, direta ou indiretamente, por pessoa física ou grupo de pessoas físicas, domiciliadas e residentes no Brasil, e nas quais o poder de decisão esteja assegurado à maioria do capital votante representado pela participação societária nacional; entidades direta ou indiretamente controladas por pessoas jurídicas de direito público interno; pessoas jurídicas de direito privado, sediadas no Brasil, cujo controle seja exercido, direta ou indiretamente, por pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, desde que, na forma da legislação vigente, o BNDES disponha de recursos captados no exterior ou o poder executivo autorize a concessão de colaboração financeira; empresário individual, desde que exerça atividade produtiva e esteja inscrito no CNPJ – Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas e no Registro Público de Empresas Mercantis.

De acordo com esse programa, poderão ser financiados máquinas e equipamentos novos produzidos no país, credenciados no BNDES, excluídos os sistemas, conjuntos industriais e equipamentos associados a grandes projetos (aqueles cujo valor de financiamento seja superior a R$ 10 milhões). A taxa de juros foi fixada em 14,95% a.a. (máximo), incluída a remuneração da instituição financeira credenciada de até 3,95% a.a., com prazo de até 60 meses para pagamento e carência de 3 ou 6 meses. Durante o período de carência os juros serão capitalizados trimestralmente. Poderão ser atendidos os financiamentos contratados até 05.08.2005, observado o limite global de R$ 2,5 bilhões.

O interessado em obter financiamento deve levar à instituição financeira escolhida a especificação técnica (orçamento ou proposta técnico-comercial) do bem pleiteado. A instituição informará qual a documentação necessária, analisará a possibilidade de concessão do crédito e negociará as garantias. Após a aprovação, a operação será encaminhada para homologação e liberação dos recursos pelo BNDES.

O Modermaq já liberou R$ 36,8 milhões por meio de 299 operações de crédito até 30 de dezembro de 2004. Do total aprovado, 11,25% foram destinados para as micro e pequenas empresas, somando R$ 15,386 milhões em 74 operações. Já as companhias de médio porte receberam R$ 16,866 milhões através de 43 operações, enquanto as grandes ficaram com R$ 104,528 milhões correspondentes a 182 operações.

Cartão BNDES

Outra opção de crédito é o Cartão BNDES, disponível para micro, pequenas e médias empresas com faturamento anual bruto de até R$ 60 milhões e que estejam em dia com suas obrigações junto ao INSS, FGTS, RAIS e demais tributos federais. O cartão permite ao titular utilizar de forma automática uma linha de financiamento pré-aprovado para aquisição de bens cadastrados junto ao banco, com limite máximo de R$ 50 mil, pagamento em 12, 18 ou 24 meses, prestações fixas e taxa de juros de 1,4% ao mês (março/2004).

Toda a operação é realizada através do Portal de Operações do BNDES, com acesso através do site www.cartaobndes.gov.br. Após solicitar o cartão, a empresa terá seu pedido analisado pelo banco emissor, que definirá seu limite de financiamento. O risco de crédito fica por conta do emissor do cartão, cabendo ao BNDES, na qualidade de provedor dos recursos financeiros, definir as condições.

Para dirimir dúvidas e obter esclarecimentos, o cliente tem à disposição o telefone (21) 2172-7200 (Central de Atendimento do Cartão BNDES) e a função Fale Conosco no Portal de Operações do BNDES.

Box 1: Instituições Financeiras Credenciadas

ABC- Brasil, ABN Amro, AFEAM, AFERR, Afparaná, Alfa, Alfa Leasing ARBI,
Badesc, Banco do Brasil, Bancoob, Bandes, Banese, Banespa, Bank Boston, Banrisul, Bansicredi, Basa, BB Leasing, BBM, BDMG, BES, BGN, Bicbanco, BMC, BMG, BMG Leasing, BNB, BNP, Boncred Leasing, Bonsucesso, Bradesco, Bradesco Leasing, Brascan, BRB, BRDE, BRP, Caixa Estadual RS, Caterpillar, CEF, Citibank, CNH, Daimlerchrysler, Desenbahia, Dibens, Dibens Leasing, DLL Brasil, Dresdner, Fibra, Finasa (BM), Finep, Ford, General Motors, Guanabara, HSBC, Industrial, ING Bank, Investe-Rio, Itaú (BM), Itaú-BBA, John Deere, Luso Brasileiro, Mercantil BR, Meridional, Modal, Nossa Caixa, Pactual, Paulista, Pine, Porto Real, Prosper, Rabobank, Rendimento, Rural, Safra, Safra Leasing, Santander BR, Schahin, SG Brasil, Sofisa, Sudameris, Sumitomo, Tribanco, Unibanco, Volkswagen, Volvo, Votorantim e Westlb do Brasil.

Box 2:
Centros de Atendimento Empresarial do BNDES

O banco possui quatro centros de atendimento a empresários, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Recife. Para outros estados, consulte o site www.bndes.gov.br, onde há a lista completa de Postos Avançados.

Rio de Janeiro
Av. República do Chile, 100 – 13º andar – Sala 1301 – Centro
20031-917 – Rio de Janeiro – RJ
Tel.: (21) 2172-8888
Fax: (21) 2220-2615
[email protected]

São Paulo
Departamento Regional Sul (DESUL)
Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 510 – 5º andar – Vila Nova Conceição
04543-906 – São Paulo – SP
PABX : (11) 3471-5100
Fax: (11) 3044-9800
[email protected]

Brasília
Departamento de Relações com o Governo (DEREG)
Setor Bancário Sul – Quadra I – Bloco J – 13º andar
70076-900 – Brasília – DF
Tel.: (61) 214-5600
Fax: (61) 225-5510
[email protected]

Recife
Departamento Regional Nordeste (DENOR)
Rua Antônio Lumack do Monte, 96 – 6º andar
Ed. Empresarial Center ll – Boa Viagem
51020-350 – Recife – PE
Tel.: (81) 3464-5800
Fax: (81) 3465-7861
[email protected]


Empresas que possuem máquinas e equipamentos cadastrados no BNDES, disponíveis para financiamento:

Boreal – Bonano do Brasil Ind. Com. Imp. Exp. Furgões Ltda.
BR 116 – Km 74
Quatro Barras – PR
Fone: (41) 672-1700
www.bonano.com.br
Principais produtos: Semi-reboque Frigorifico, Baú Frigorifico, Baú sorveteiro e todos os tipos de baús para transportes de produtos frigorificados.

Selovac Ind. Com. Ltda.
Rua Vigário Taques Bittencourt, 156
São Paulo – SP
Fone: (11) 5643-5599
www.selovac.com.br

Principais produtos: Máquinas para embalagem a vácuo, máquinas para embalagem de produtos líquidos e pastosos.

Trevi Ind. Mecânica Ltda.
Rua Salto da Divisa, 60
Guarulhos – SP
Fone: (11) 6484-5632
www.trevi.com.br
Principais produtos: Moldadeiras, filadeiras, monobloco, raladores, secadores, transportadores, moinhos, fracionadoras para queijo de coalho, prato e parmesão.

* Daniela Buono é jornalista e realizou esta matéria com exclusividade para o Portal Milknet.
Publicada no Portal Milknet em 10/03/2005

Banner CHR Hansen 2020

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here