CPT - Centro de Produções Técnicas

Os prédios compõem o cenário da vida rural que Alaíde Maria de Oliveira, de 75 anos leva em Araxá, no Alto Paranaíba. Apesar de aposentada, a idosa não deixou o trabalho de lado. Ela tem uma pequena criação de gado dentro da cidade e é com os animais que ela aumenta a renda da casa. Viúva, vive com a filha. Do gado ela tira o comércio de leite, de requeijão e aproveita o tempo ao lado dos animais para bordar e tricotar ao som do canto dos pássaros. De acordo com Alaíde, apesar de ser idosa, não tem necessidade de fazer o uso de medicamentos e a palavra trabalho se confunde com diversão. A rotina de Dona Alaíde começa à 4h30, reunindo o gado para a retirada do leite. “Logo de manhã eu coloco as vacas no curral para fazer a ordenha. Como eu tenho dores no braço com o movimento, tem uma pessoa que faz isso pra mim. Lá mesmo eu já divido o leite e deixo na porta das casas dos vizinhos”, comentou. Assim que acorda, uma das vizinhas, a auxiliar de serviços gerais, Amara Margareth Pereira, abre a porta da casa e já encontra os dois litros de leite encomendados. “Ela deixa direitinho e o pagamento é no final do mês, sempre dá certo. Eu gosto de leite assim, sem aditivos e bem natural. Geralmente uso para beber mas algumas vezes faço arroz-doce ou canjica”, afirmou. Depois de distribuir o leite aos clientes, Alaíde retorna em casa para fazer o almoço. Quando necessário, ela capina o mato do pasto e as mãos firmes que pegam no facão são as mesmas delicadas que bordam e trançam o tricô. “Depois que eu faço os trabalhos da casa, eu retorno para pasto onde fico com o gado. As vacas são minhas companheiras. Lá, eu sento em algum lugar e começo meus bordados e tricôs”, disse. Os bordados de Dona Alaíde se transformam em quadros e os tricôs ganham formato em blusa e cachecol. Com 75 anos, ela confirma: não tem nenhuma doença. “Eu não tomo nenhum remédio. Eu acordo pensando no que vou fazer. Se eu sinto dor de cabeça, faço meu trabalho e passa. Fica doente quem fica parado”, contou. Para Dona Alaíde, trabalho não é a melhor forma de definir o que ela faz. Sentada ao lado do gado em um cupinzeiro, além das vacas, ela tem a companhia da trilha sonora do canto dos pássaros. “Isso aqui é uma diversão. Eu não preciso sair, nem assistir TV, meu lazer é ficar ao lado delas, ouvindo os pássaros, bordando e tricotando”, disse. Diversão que leva pra casa a renda que contribui nas despesas. Além do leite, a idosa ainda faz requeijão para venda. “Eu sustento minha família com o gado. O leite também ajuda como alimento. A aposentaria é muito pouca e tenho que procurar alternativas”, afirmou. A opção pela criação de gado foi herança do marido. Em 1991 ela ficou viúva e decidiu continuar o que o marido havia deixado. “Em 1958 ele trouxe uma vaca pra cá e logo a criação aumentou. Quando ele faleceu, eu estava aposentando e resolvi não vendê-las e sim continuar”, disse. Depois do dia cheio, às 19h ela solta o gado e retorna pra casa. “Aí é hora de me arrumar, tomar minha xícara de leite e dormir. Deito por volta das 20h e às 4h30 já estou pronta pra outra”, brincou.

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