CPT - Centro de Produções Técnicas

Na crise vivida pelo setor de leite no Rio Grande do Sul, as empresas estão trabalhando acima da capacidade de captação do produto e os estoques no Estado estão altos. A solução pode estar na produção de leite em pó. – O Rio Grande do Sul tem quase 200 mil famílias na atividade leite, muitas deles como sua atividade principal, sua principal fonte de renda está na atividade leiteira, outras como uma atividade complementar – afirma o tesoureiro-geral da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag), Sérgio de Miranda. O setor vive uma crise no estado. São 12 empresas de laticínios que fecharam as portas, seja pela Operação Leite Compensado, deflagrada pelo Ministério Público, ou por má gestão. Mais de 20 mil produtores estão sem receber pelo leite entregue a essas indústrias. – O lamentável é que muitos anos se leva para formar um produtor e daí, de uma hora para outra, ele é desestimulado a deixar de produzir e isso traz reflexos para a cadeia como um todo. Para o produtor mesmo: ele tem que se reestruturar e perde muitas vezes um investimento realizado – afirma o presidente da Associação Gaúcha de Laticinistas e Laticínios. Para o tesoureiro-geral da Fetag-RS, seria fundamental neste momento que o governo concedesse uma linha de crédito especial de financiamento, já que muitos agricultores estão há vários meses sem receber. <b>Armazenagem</b> Além da questão dos pagamentos, também há problemas com a armazenagem. As indústrias não estão conseguindo absorver tamanha demanda de leite entregue pelos produtores. Uma das soluções é apostar no leite em pó. A Cooperativa Central Gaúcha Ltda. (CCGL), de Cruz Alta, por exemplo, destina 98% da produção a esse segmento. – Ele é um produto que dá proteção maior para os produtores, porque tem uma validade após a fabricação de um ano no mínimo; tecnicamente poderia chegar a dois anos de validade. É um produto que a gente consegue quando o mercado está reprimido, quando o mercado está passando por momentos de menor consumo. A gente consegue segurar e armazenar até para os meses que a produção de leite no Brasil entra em declínio, a entressafra, que deve começar agora no mês de março – afirma o presidente da CCGL, Caio Viana. <b>Aquisições</b> A Fetag-RS também acredita que essa é a melhor saída para a produção. A ideia é que o governo adquira principalmente o leite em pó para ajudar no escoamento, para fazer estoques ou utilizá-lo em programas institucionais e alimentação escolar. Hoje, o Rio Grande do Sul tem 5 mil toneladas de leite em pó estocadas. A exportação pode ser outra medida eficaz. Na próxima terça-feira, dia 10, o Instituto Gaúcho do Leite e a Fetag-RS (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul) têm uma reunião com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). As instituições vão pleitear que o governo adquira 4 mil toneladas de leite em pó. Também está na agenda uma reunião com a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, para pedir o credenciamento de algumas cooperativas gaúchas para vender leite em pó para a Rússia. Enquanto a solução não vem, o setor acumula gente querendo abandonar a atividade. – Eu estou desistindo, estou parando, bastante desestimulado com o que aconteceu. Mas esperança temos que ter. Se a gente não tiver esperança pelo trabalho que a gente teve, a gente produziu o alimento. Leite é alimento – afirma o produtor Darci Dalmolin, da cidade de Ibiribá.

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