CPT - Centro de Produções Técnicas

O final da década de 90 foi particularmente importante para o setor lácteo brasileiro, pois marca a entrada definitiva desse setor produtivo no comércio internacional. Até então, o Brasil importava um volume alto de produtos lácteos e as exportações eram praticamente nulas, resultados da desregulamentação do mercado no ano de 1990, acabando com as intervenções do governo no setor. Naquele momento, todo o setor mostrou-se despreparado para enfrentar a concorrência externa; cada vez mais, aumentava o nível de importações de produtos lácteos. Esse cenário foi revertido a partir do ano 2000, com uma reorganização das empresas que, a partir de então, adotaram práticas administrativas mais profissionais e voltadas para o mercado, buscando maior eficiência e competitividade. Somada a esse quadro do setor lácteo, a conjuntura macroeconômica, muito provavelmente, também colaborou para a mudança do padrão brasileiro exportador de lácteo. Depois da mudança do regime cambial, em 1999, a taxa de câmbio brasileira sofreu um processo de intensa desvalorização (dólar mais caro, o que favorece as exportações), cujo auge ocorreu em 2002, seguindo em patamar favorável até o final de 2004. E é no ano de 2004 que ocorre o boom exportador brasileiro do leite. Já em 2006, com a valorização do real frente ao dólar, somado à estabilidade nos preços do leite em pó no mercado internacional, nota-se que a competitividade do produto brasileiro está caindo. Em relação aos preços de exportação do produto europeu dos últimos 12 meses, o leite em pó exportado pelo Brasil esteve em patamar mais baixo apenas em 3 meses. Em relação aos preços praticados pela Oceania (maior exportador mundial), o produto brasileiro esteve mais competitivo em apenas 4 meses. Ressalva-se que os preços de exportação da Oceania na primeira quinzena de agosto já estão 8,24% inferiores aos preços praticados em agosto de 2005. Além disso, os últimos relatórios do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) apontam para um acréscimo na produção da Nova Zelândia entre 1,5 e 3% para 2006 e na Austrália há tendência de estabilidade ou mesmo de queda de 1% no volume produzido para este ano. As exportações de leite em pó representam 87% do volume de leite exportado pelo Brasil, mas o total exportado de lácteos pelo Brasil equivale a apenas 2,57% do leite formal do País. Contudo, estudos apontam que se este pequeno percentual não for exportado, poderá haver aumento nos estoques das indústrias, refletindo negativamente sobre os preços dos derivados lácteos no atacado e principalmente ao produtor. Ressalta-se que estes impactos são mais significativos para indústrias lácteas e cooperativas que atuam no mercado internacional. Fonte: Cepea/Boletim do Leite – Por Leandro A. Ponchio, Ms. e Humberto F. S. Spolador, Dr.

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