CPT - Centro de Produções Técnicas

A criação de búfalos parece ser mesmo uma vocação no Alto Paraíba, que acaba de ganhar um núcleo da ABCB (Associação Brasileira de Criadores de Búfalos), o que deverá dar um grande impulso à atividade na região. Sediado em Natividade da Serra, o Núcleo de Criadores do Alto Vale do Paraíba abrange os municípios localizados nas serras do Mar e da Bocaina, somando aproximadamente 700 animais. De acordo com o presidente da ABCB, Otávio Bernardes, o novo núcleo se diferencia dos demais, localizados no Vale do Ribeira e na região de Araçatuba. “Aqui já existe uma cadeia completa, que é a forma moderna de viabilizar o agronegócio”, afirma. Ele se refere à iniciativa do engenheiro agrônomo e produtor Cláudio Varella, da Fazenda Vale Alto e Laticínio La Vera, que organizou um sistema de parceria para a criação de búfalos. “É um trabalho de extensão rural feito pelo laticínio”, diz Bernardes, que enquadra o rebanho regional no padrão médio do Estado. A região, segundo ele, ficou por muito tempo isolada, sem a troca de informações e o intercâmbio de experiências. “O rebanho é bastante heterogêneo, mas a tendência é melhorar.” VANTAGENS – Para os criadores, são diversas as vantagens de estarem ligados ao recém-criado núcleo da ABCB, que promete investir no crescimento da atividade na região. A começar pela participação no projeto Balde Cheio, que tem no Bairro Alto, no sítio São Pedro, o primeiro projeto-piloto de pastejo rotacionado para búfalos executado no país. Também estará acessível a eles um programa de melhoramento, seja para o aperfeiçoamento no manejo, seleção de animais melhorados geneticamente ou para a troca de material genético de qualidade, permitindo acesso às melhores linhagens disponíveis no mercado. Por conta desse programa, a cada três meses é feito controle leiteiro oficial do rebanho e duas vezes por ano é feita avaliação e inseminação dos animais. Além disso, o núcleo vai buscar, permanentemente, informações atualizadas e novidades, para repassar aos criadores. Uma terceira vantagem apontada são as compras conjuntas, para baixar os custos de produção. É o caso, por exemplo, da uréia, cujo preço pode cair de R$ 52 para R$ 28 a tonelada, com economia de 29%, se for comprada em grupo, diretamente do fornecedor. Se concretizada, essa será a primeira compra conjunta do grupo. Mercado valoriza o leite de búfala Os criadores de búfalo não se cansam de falar das vantagens sobre a bovinocultura de leite. Segundo Cláudio Varella, escolhido como presidente do Núcleo de Criadores, só a troca dos animais já é suficiente para triplicar a rentabilidade da propriedade. Também conta a rusticidade com manejo menos trabalhoso e pouco remédio no controle de doenças e, sobretudo, a melhor remuneração pelo mercado. O laticínio La Vera tem sido o grande incentivador da produção de leite de búfala convencendo os antigos produtores de leite de vaca daquela região a mudar para as búfalas. Desde 1999, por meio de uma parceria, Cláudio entrega 10 novilhas e um macho ao interessado, que depois de 7 anos devolve o macho e mais 14 novilhas. Há um compromisso mútuo de compra e venda de toda a produção ao laticínio, que está pagando R$ 0,80 por litro, mais que o dobro do que se paga pelo leite bovino. O laticínio chega a consumir 1.200 litros por dia, na fabricação de 200 quilos de queijo. Classificado com o “Selo de Pureza” da ABCB, concedido a apenas 13 laticínios brasileiros, o La Vera vende a maior parte da produção em São Paulo, ao preço médio de R$ 15 o quilo. “O selo é uma garantia de que o queijo é feito com 100% de leite de búfala”, explica Cláudio. O mercado cresce cerca de 30% ao ano e, segundo Cláudio, há muita consulta para exportação. “Os Estados Unidos, por exemplo, não importam produtos derivados de leite bovino, mas não têm nenhuma restrição contra o leite de búfala”, afirma o produtor. Para abocanhar uma parte desse mercado, ele planeja expandir as parcerias, para outros municípios. Fonte: Jornal Vale Paraibano, adaptado pela Equipe Milknet

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