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Até pouco tempo, ele era um alimento imune a críticas e defendido com riqueza de argumentos. Mas a ‘boa fama’ do leite tem sido tema de debate entre especialistas e agora divide opiniões. Sua mãe está certa: a bebida é muito nutritiva e repleta de cálcio, que fortalece os ossos. Por outro lado, o consumo pode, sim, ser prejudicial a pessoas mais sensíveis e provocar alterações no organismo. Adriane Antunes de Moraes, nutricionista e professora da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp, lista que, além do cálcio, o leite contém fósforo, proteínas e vitaminas A e D (na versão integral do produto), B2 e biotina. Segundo ela, as qualidades não se restringem ao âmbito nutricional. “Há também benefícios funcionais, como ser anti-hipertensivo. Estudos apontam ainda para redução de peso e modulação da gordura corporal entre consumidores de leite”. Professora de Nutrição do Centro Universitário Celso Lisboa, Mariana Catta-Preta acrescenta que o cálcio do leite é mais facilmente absorvido pelo corpo do que a versão do mineral encontrada em vegetais. Ela alerta que a carência de cálcio e de vitamina D pode causar osteoporose. “É um alimento completo. Há cálcio em outros alimentos mas, no leite, o mineral está em maior quantidade”. Já Tamara Mazaracki, nutróloga integrante da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), reconhece as qualidades da bebida, mas ressalta que um aspecto ‘mancha’ sua reputação: a pasteurização e os aquecimentos. Os processos pelos quais passam os leites de caixinha — que quase todo mundo tem na geladeira — alteram suas proteínas. Tamara explica que o organismo de algumas pessoas não consegue ‘quebrar’ essas proteínas modificadas, o que pode gerar processo inflamatório. “É uma substância que o corpo de algumas pessoas não aceita. Pode causar inflamação no intestino e desencadear processos alérgicos e de intolerância”. O que fazer? Largar a xícara de café com leite e tomar um suquinho? Ou manter o produto na lista de compras? Para decidir, é preciso uma avaliação individual, diz Adriane. Ela explica que, se uma pessoa observa manifestações na pele, no sistema respiratório ou no aparelho digestivo quando consome produtos lácteos, deve ir ao médico para investigar se a culpa é do leite. E, caso a bebida tenha que sair da dieta, ela lembra que é fundamental substituir o produto por alimentos ricos em cálcio, para evitar problemas ósseos. Segundo Tamara, outras boas fontes de cálcio são sardinha e repolho, além de folhas verde-escuras (principalmente couve). “Se a pessoa sente apenas um mal estar quando toma leite, outra sugestão é trocar por queijo e iogurte”, diz. Para os pais que querem reduzir o consumo da bebida entre os filhos, a dica é exatamente esta: dar iogurte e queijo.

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