CPT - Centro de Produções Técnicas

O Ministério Público já indiciou 43 pessoas pelas fraudes no leite no RS. Destas, sete já estão cumprindo penas que variam de dois anos em regime semi-aberto a 18 anos em regime fechado. Outras cinco estão presas enquanto seus processos não chegam ao fim. As outras aguardam em liberdade a tramitação de suas ações. Três indústrias deixaram de operar por causa das investigações. Dessas, o produto mais conhecido era o doce-de-leite Mu-Mu. A fraude foi detectada há dois anos pela fiscalização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), No RS há 120 mil leiteiros cuja produção chega a duas dezenas de indústrias por meio de caminhões equipados com resfriadores, mas que operam nesse mercado sem licença nem treinamento. Com base nas descobertas feitas em um ano de investigações, o Ministério Público está reclamando ao Mapa que comece cadastrando os 600 transportadores em atividade. Alguns têm apenas um caminhão-toco, apto a entrar nas estradas vicinais, mas outros possuem frotas de 30 veículos, incluindo os chamados bitrens, capazes de transportar 60 mil litros por viagem. As investigações mostraram que esses intermediários têm poder de corrupção sobre toda a cadeia produtiva do leite, desde pequenos sitiantes até funcionários de indústrias que têm no leite sua matéria-prima básica. A fraude começa com o tradicional “batismo” de leite com água (para ganhar alguns centavos na pesagem do produto, remunerado pela indústria à base de R$ 1 por litro, em média), passa pela troca de amostras para análise biofísica e inclui, principalmente, a adição de soda cáustica, água oxigenada e ureia (com formol) para corrigir a acidez e a deterioração do produto, nem sempre submetido às melhores práticas na ordenha e resfriamento nos sítios produtores. Adulterar em alimentos é crime contra a saude e a economia popular. Em Brasília discute-se projeto para considerar a adulteração de alimentos crime hediondo, como já acontece com medicamentos e cosméticos.

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