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Foi prorrogado por uma semana o leilão da massa falida da Indústria de Alimentos Nilza, em Ribeirão Preto (SP). Os lances apresentados na audiência desta sexta-feira (7) não foram suficientes, segundo o juiz Heber Mendes Batista, e os responsáveis pelas propostas deverão reavaliar as ofertas até a próxima sexta-feira (14). Falida desde 2009, a empresa esperava obter R$ 117 milhões pelas fábricas em Ribeirão, Campo Belo e Itamonte (MG). O juiz da 4ª Vara Cível de Ribeirão Preto considerou que somente os lances referentes à unidade da empresa em Campo Belo (MG) e o valor da marca estavam de acordo com a avaliação feita durante o processo de falência. “A proposta pela marca foi razoável, de R$ 5,2 milhões, é o valor da avaliação”, afirmou Batista. Pela fábrica em Campo Belo, um dos proponentes chegou a fazer uma oferta de mais R$ 40 milhões. Além disso, a Leite Nilza recebeu uma proposta de R$ 120 milhões pelas fábricas, entretanto foi desconsiderada pelo juiz. “Ela foi feita com base em títulos da dívida agrária e precatórios, são títulos que não têm valor no mercado e muito provavelmente o juízo não vai autorizar a arrematação dos ativos com base nessa oferta”, explicou Batista. Os lances serão analisados durante a semana pelo administrador da massa falida da empresa e pelo Ministério Público e novas ofertas pelas outras unidades deverão ser apresentadas na próxima semana. “A decisão sobre a arrematação dessa unidade ou das demais unidades só vai existir após a audiência na próxima semana”, disse o juiz. <b>Falência</b> Atualmente, a dívida da Leite Nilza está estimada em R$ 500 milhões. Cerca de 3,3 mil fornecedores devem receber em torno de R$ 232 milhões e pelo menos 1.186 ex-funcionários não tiveram os direitos trabalhistas pagos – débito calculado em R$ 13,8 milhões. Além disso, há ainda R$ 141 milhões como garantia real e R$ 20 milhões em crédito extraconcursal. A Indústria de Alimentos Nilza surgiu em 2004 da organização de sete cooperativas. Dois anos depois, ela foi comprada por Adhemar de Barros Neto, que iniciou um plano de expansão. Em 2008, a indústria comprou as unidades de Itamonte e Campo Belo da Montelac Alimentos S.A, passando a processar 1,5 milhão de litros de leite por dia em suas três unidades, que contavam com mil profissionais. No mesmo ano das aquisições, no entanto, veio a crise no setor leiteiro brasileiro e a dificuldade de obtenção de créditos bancários com os problemas financeiros no setor imobiliário dos Estados Unidos. Para rodar o seu passivo, a empresa pegou empréstimos com factorings e teve sua dívida aumentada. Em março de 2009, as contas do vermelho fizeram a indústria entrar com o pedido de recuperação judicial. No mesmo ano, o proprietário da Airex, Sérgio Alembert, entrou como dono da Nilza e foram feitas as primeiras demissões: 330 em Ribeirão e 220 em Itamonte. Em janeiro de 2011, o juiz da 4ª Vara Cível de Ribeirão Preto decretou a falência da empresa após constatar uma série de fraudes no processo de recuperação judicial e na negociação de venda da companhia para a empresa Airex, que aparecia em seus registros com sede em Manaus (AM), o que também chegou a ser investigado. Cinco meses depois, a decisão de falência foi revogada e 40 funcionários foram recontratados para trabalhar na Nilza. Foram feitos testes no laticínio, mas a produção comercial não chegou a acontecer. Então, em outubro de 2012, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decretou a segunda falência, que dura até hoje.

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