CPT - Centro de Produções Técnicas

O ano de 2020 foi marcante para qualquer fabricante em meio a pandemia da covid-19, mas para a fabricante Laticínios Aviação o momento histórico se deu também por conta dos seus cem anos de existência. A empresa familiar que está no comando da terceira e quarta geração neste ano lançou produtos comemorativos, olhou para o fortalecimento de categorias e lançou um e-commerce próprio.

“Estávamos planejando comemorar os cem anos em eventos do setor, mas com a pandemia mudamos a estratégia com novidades como o selo comemorativo nas embalagens. Por outro lado, alguns planos foram acelerados, como a automação de uma linha produtiva que estava prevista para 2021”, diz Roberto Rezende Pimenta Filho, vice-presidente da Aviação.

Segundo ele, antigamente o processo de produção era bastante artesanal, mas dos anos 1990 para cá houve mais inovação sem perder a qualidade e tradição do produto. “Fomos os primeiros da América Latina a envasaram manteiga em lata automaticamente”. Agora, em 2020, foi realizado um investimento de capital próprio de 40 milhões de reais, abrangendo a modernização da fábrica em Minas Gerais.

Inovações

A pandemia da covid-19 colocou grande parte das pessoas em casa e incentivou o consumo de itens para o café, fazendo com que a Aviação mantivesse as expectativas de venda e de receita para este ano em 430 milhões de reais.

Isso se deve também aos novos produtos e serviços, como o lançamento do e-commerce em novembro, inicialmente com entrega, para as regiões sul e sudeste, além da venda de kits exclusivos na plataforma. “O brasileiro aprendeu a usar o e-commerce e entendemos que este será um importante canal de vendas”, diz Roberto.

A companhia tem na manteiga seu produto mais tradicional, que corresponde a 60% das vendas, mas outros itens como doce de leite, queijos e cafés são estratégicos dentro do negócio. A linha de queijos, por exemplo, cresce 10% ao ano também pelo lançamento dos últimos anos com tipos de maior valor agregado, como o montanhês fracionado.

Outra aposta da companhia é o lançamento de mais um tipo de café, aproveitando o crescimento do consumo da bebida em 35% na pandemia. Com a marca Aviação a venda de cafés acontece há cinco anos, apesar da empresa já trabalhar com o grão, especialmente para a exportação, também há cerca de cem anos. A intenção é investir em cafés gourmets e de qualidade superior. “Já havíamos lançado outros como o extraforte, mas pesquisas apontaram que podemos completar o portfólio com esse nicho e ser a empresa do café da manhã do brasileiro’, afirma Roberto.

A empresa de razão social Gonçalves Salles começou em 1920 com a venda de produtos de laticínio em São Paulo, fabricados em Passos, em Minas Gerais. Ao longo dos anos a família tomou conta do negócio e pretende assim continuar. “A família está muito bem estruturada e confortável com a atual trabalho da empresa. Mantemos um crescimento orgânico e somos assediados por outras empresas, fundos e investidores, mas vamos manter a nossa gestão”, diz Geraldo Alvarenga Resende Filho, presidente da Aviação. “Somos muito conservadores no negócio, salvando e gerando caixa,  e nos preocupamos não com quantidade que vende e sim a margem que a empresa. Sobrevivemos a guerras, crises e agora a pandemia”.

A familiaridade é preservada e até incentivada também entre os cerca de 300 funcionários. “Temos um turnover bastante baixo. As pessoas entram aqui, têm outros familiares e conhecidos e muitos ficam anos até se aposentar. Um funcionário que faleceu recentemente, por exemplo, tinha 67 anos de empresa”, diz Geraldo.

Esse jeito de fazer torna a memória afetiva do brasileiro um ativo valorizado na marca. Segundo os executivos, eles recebem muito e-mails das pessoas que contam sua relação com a Aviação e até mesmo cartas, sendo que algumas delas estão no livro Aviação – 100 anos, com textos de grandes autores, como Inácio de Loyola Brandão.

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