CPT - Centro de Produções Técnicas

A indústria brasileira de lácteos aposta na retomada das exportações e está de olho no potencial do mercado árabe. Representantes do setor participaram do Fórum Empresarial América do Sul-Países Árabes, encontro que ocorre neste domingo (08) e na segunda-feira (09) em Riad, e que antecede a Cúpula América do Sul Países-Árabes (Aspa), reunião de governos das duas regiões que será realizada esta semana, também na capital da Arábia Saudita. “O mercado [árabe] é grande consumidor de produtos como leite condensado, evaporado, em pó e manteiga”, disse o CEO do laticínio Itambé, Alexandre Almeida. O Brasil não exporta lácteos em grande quantidade de forma constante, pois o mercado interno é muito grande, o que resulta em pouco excedente. Quando os preços estão baixos no mercado internacional o produto brasileiro perde competitividade e diminui o interesse dos exportadores. O consumo interno, no entanto, já é relativamente alto, de cerca de 170 litros por habitante por ano, então a tendência é que a produção, que cresce em média 4% ao ano, avance mais do que a demanda brasileira, liberando mais produto para exportação. “Não tem jeito de não exportar”, afirmou o assessor técnico da Associação Brasileira de Laticínios, Gustavo Beduschi. Além disso, o setor espera que, a partir de meados do ano que vem, os preços internacionais do leite em pó voltem a patamares favoráveis às exportações brasileiras, de US$ 3 mil a US$ 3,5 mil por tonelada, segundo Almeida. Diretor de Relações Institucionais do laticínio Piracanjuba, Cesar Helou acrescentou que a desvalorização do real frente ao dólar dá ainda mais impulso às exportações. “Nós acreditamos que o câmbio, no patamar que está, abre caminho para [o País] ser exportador”, declarou. Na década passada, o Brasil chegou a ser grande fornecedor de lácteos para países árabes. A Argélia, por exemplo, foi o maior mercado dos laticínios nacionais por um curto período. As maiores vendas ocorreram em 2008. Mas esta oportunidade ocorreu em função de questões conjunturais, como a seca que atingiu a Nova Zelândia, a maior produtora mundial, e que reduziu a disponibilidade de produto no mercado, elevando os preços. Agora, as empresas estão se preparando para voltar a vender em grande escala. A Itambé, por exemplo, está reativando uma fábrica de leite evaporado que estava parada. “A retomada vai ser rápida”, disse Almeida. Helou, por sua vez, disse que a Piracanjuba retomou contatos que tinha no Oriente Médio e que toda a linha de produtos da companhia tem certificação halal, que atesta que o alimento foi preparado de acordo com preceitos muçulmanos. Beduschi observou que hoje a Venezuela é o maior mercado dos lácteos brasileiros no exterior, mas a Arábia Saudita já aparece em segundo lugar, com importações de US$ 10,2 milhões de janeiro a outubro deste ano. Ele acrescentou que a associação, que é nova, vai firmar um acordo de promoção comercial com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e que dos sete mercados prioritários, quatro são árabes: Arábia Saudita, Argélia, Egito e Emirados Árabes Unidos. Além do mundo árabe, o setor está na expectativa da abertura do mercado Chinês. A China não importa do Brasil, mas a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, que está na Arábia Saudita, vai visitar também o país asiático e existe a expectativa de liberação das importações.

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