CPT - Centro de Produções Técnicas

Quando um produto agropecuário se torna muito importante para a economia de uma região, vira moeda de referência nas transações comerciais. É caso da soja no Oeste baiano onde o preço do hectare de terra, em função da sua localização, vale entre 40 a 600 sacas de soja.

No Ceará, o litro de leite começa a ser a moeda na compra de novilhas e vacas leiteiras, numa operação desburocratizada, já em execução, entre a indústria Betânia Lácteos, seus fornecedores de leite no Ceará e a Fazenda Flor da Serra (fornecedora das novilhas), visando repovoar o rebanho leiteiro que sofreu redução durante o último ciclo de secas, atendendo a uma demanda de produtores de leite que não conseguem crédito bancário oficial.

CADA NOVILHA, SELECIONADA PELOS PRODUTORES, COM CAPACIDADE MÍNIMA DE PRODUZIR 15 LITROS DE LEITE POR DIA, FOI NEGOCIADA POR 4.250 LITROS DE LEITE.

A primeira transação, baseada numa relação sólida entre a Betânia e os seus produtores de leite ocorreu nesta primeira semana de novembro, quando foram negociadas 56 novilhas prestes a parir, com 16 pequenos produtores de leite de Quixeramobim, Morada Nova, Limoeiro, Ibicuitinga, Alto Santo, Piquet Carneiro e São João do Jaguaribe.

Cada novilha, selecionada pelos produtores, com capacidade mínima de produzir 15 litros de leite por dia, foi negociada por 4.250 litros de leite. O produtor assina um contrato com a Betânia para pagar o débito durante 20 quinzenas, tendo dois meses de carência, tempo em que as novilhas estarão paridas e produzindo leite.

Nesse contrato, o produtor autoriza à Betânia a descontar do boleto de leite fornecido, quinzenalmente, 212,5 litros de leite até liquidar a conta. O valor correspondente a esse leite será repassado pela Betânia à fazenda fornecedora das novilhas.

A cadeia do leite no Ceará, entre 2006 e 2017, mostrou que responde positivamente economicamente, gerando renda (VBP) de R$ 742 milhões, a segunda maior do setor agropecuário, e socialmente, com 115 mil empregos diretos no campo, em 2017.

Vale considerar que, no Ceará, entre 2006 e 2017, com seis anos de seca, apesar de uma redução de 12% do rebanho bovino, a produção de leite cresceu 25%, motivado  pela tecnologia empregada no campo e pelo trabalho sério dos pecuaristas, com ganhos de produtividade por vaca por lactação, em torno 80%.

Portanto, na minha leitura, as instituições públicas e privadas realmente comprometidas com a economia agropecuária do Semiárido do Nordeste precisam ‘trocar o chip’ da mesmice e encontrar soluções inteligentes e desburocratizadas para viabilizar o desenvolvimento das poucas cadeias produtivas agropecuárias viáveis nesse sertão de secas recorrentes.

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