CPT - Centro de Produções Técnicas

Na tentativa de reduzir os riscos de adulteração no leite, denunciados pela Operação Leite Compensado do Ministério Público do Rio Grande do Sul, técnicos do Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro) em Porto Alegre realizam testes em pelo menos 500 amostras por mês. No laboratório, foi desenvolvido um método que revela em até 24 horas se o leite contém formol, substância prejudicial à saúde. O formol foi detectado no leite nas primeiras etapas da Operação Leite Compensado. A substância é encontrada na ureia, comprada por transportadores para adicionar ao leite que era vendido a indústrias. O leite, coletado nas indústrias pelos fiscais federais, é examinado rigorosamente no Lanagro. As amostras são preparadas para análise em um laboratório de resíduos veterinários. Ao todo, são feitos 15 testes diferentes, desde os mais simples, como gordura e acidez, até os mais complexos, capazes de descobrir mínimas partículas de impurezas na bebida. "O papel da fiscalização é publicizar as informações para os consumidores e fazer o produtor se conscientizar pela melhora do seu produto", afirma o agrônomo João Becker. Na hora das compras, muitos consumidores têm dúvidas sobre a qualidade do leite que levam pra casa. "O principal cuidado que deve ser tomado é a verificação à data de validade, aspecto, odor do produto e se existem grânulos", afirma a chefe técnica do Lanagro, Priscila Moser. Os resultados ficam prontos entre dois dias e uma semana, mas podem levar menos tempo. Entenda A Operação Leite Compensado, do Ministério Público, teve sua primeira fase desencadeada em 8 de maio do ano passado. As investigações apontaram para um esquema que adulterou cerca de 100 milhões de litros do produto no estado. Na ocasião, o MP revelou que transportadores estavam adicionando água e ureia (que contém formol) ao leite crú para aumentar o volume e disfarçar a perda nutricional no caminho entre a propriedade rural e a indústria. O esquema era realizado em postos de resfriamento. Na primeira fase, foram identificadas fraudes nos municípios de Guaporé, Horizontina e Ibirubá. Quinze pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público e oito foram presas. Destas, quatro estão em liberdade. Seis pessoas foram condenadas pela Comarca de Ibirubá. A sentença foi proferida pelo juiz Ralph Moraes Langanke em dezembro de 2013. A segunda fase da Operação Leite Compensado foi deflagrada em 22 de maio do ano passado nos municípios de Ronda Alta e Boa Vista do Buricá. Quatro pessoas foram presas e seis foram denunciadas pelo MP. Dessas, três estão em liberdade. O processo ainda está em andamento e ninguém foi condenado. Já a terceira etapa foi realizada em 7 de novembro de 2013 no município de Três de Maio. Quatro pessoas foram denunciadas. Ninguém foi preso. A quarta fase foi desencadeada 14 de março deste ano nas cidades de Condor, Panambi, Tupanciretã, Bossoroca, Capão do Cipó, Vitória das Missões, Ijuí e Santo Augusto. Até agora, uma pessoa foi denunciada. O processo ainda está em andamento. Para marcar um ano da primeira fase da operação, o MP deflagrou em 8 de maio deste ano a quinta fase da Operação Leite Compensado. Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão e três de prisão em dez cidades do Vale do Taquari e Vale do Sinos.

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