CPT - Centro de Produções Técnicas

Não é do dia para a noite que um jovem se torna capaz de gerir a produção de leite. Se a afirmativa parece lógica, porque tantas propriedades têm enfrentado dificuldade no momento da sucessão? As famílias no meio rural estão envelhecendo sem perspectiva de um sucessor para dar continuidade às atividades produtivas, já que grande parte dos jovens migra para os centros urbanos em busca de oportunidades de desenvolvimento profissional e realização pessoal. A questão tem se tornado crítica para o setor produtivo e agora é tema do 2º Encontro Pan-americano de Jovens Produtores de Leite, que será realizado na próxima semana, de 15 a 17 de setembro, em Juiz de Fora – MG, pela Fepale (Federación Panamericana de Lechería) em parceria com OCB/Sescoop e Embrapa Gado de Leite. “Para ser economicamente viável, a produção leiteira requer dedicação intensiva. Além disso, a atividade está sujeita aos riscos climáticos, mercadológicos e biológicos. Muitos jovens preferem ter um emprego fixo na cidade, com salário certo, férias definidas e maior variedade de lazer”, explica o analista Fábio Diniz, da Embrapa Gado de Leite, que conduziu pesquisa sobre o tema junto a filhos de produtores. Os estudos, porém, identificaram que a percepção de qualidade de vida é superior no campo. Fábio Diniz enumera as principais questões que afastam os jovens das propriedades rurais. Historicamente, as mulheres não são vistas como potenciais sucessores. Saem da propriedade para estudar e dificilmente voltam para morar ou trabalhar na zona rural. Já os homens se desinteressam devido à penosidade do trabalho e pela dificuldade em encontrar uma parceira disposta a constituir família ali. O analista também cita a baixa qualidade das estradas, que dificultam a mobilidade entre a zona rural e a urbana e, em alguns casos, a falta de acesso a serviços de internet, que inviabiliza a adoção de sistemas informatizados e a comunicação a distância. Por parte do sucedido, o maior entrave é saber lidar com a perda de poder. Fábio Diniz afirma: “A partir do momento em que o pai passa o controle da propriedade para o filho, sente que deixa de ser referência em sua comunidade. Para muitos, quando a sucessão remete à perda da capacidade ou condição de administrar sua propriedade. Ou seja, remete a uma morte social”. Para a sucessão ser menos traumática para ambos os lados, Diniz faz recomendações. O diálogo entre pais e filhos é crucial. “É importante ter esse diálogo desde cedo. O filho deve reconhecer o trabalho do pai e toda a vida que ele teve enquanto responsável pela propriedade. Os pais, por sua vez, devem reconhecer os planos do filho para a propriedade e compreender que a renovação é benéfica”, afirma. Ir delegando as responsabilidades gradualmente é outra forma dos sucedidos deixarem o controle das propriedades de forma natural. Para isso, é necessário haver um planejamento de longo prazo do processo de sucessão, feito com auxílio de um extensionista rural ou pessoa especializada, que impacta na redução de conflitos familiares. O 2º Encontro Pan-americano de Jovens Produtores de Leite irá reunir mais de 200 participantes. Estão inscritos jovens de oito países: Argentina, Brasil, Costa Rica, Equador, Guatemala, México, Panamá e Uruguai. O objetivo é promover a troca de conhecimentos e experiências. Durante os 3 dias de evento, serão realizadas palestras e oficinas, atividades recreativas e de integração, além de visitas técnicas, conduzidos por especialistas do Brasil, da Costa Rica, do México e do Paraguai. <b>Serviço: </b> 2º Encontro Pan-americano de Jovens Produtores de Leite De 15 a 17 de setembro Em Juiz de Fora – MG Organização: Fepale, OCB/Sescoop e Embrapa Gado de Leite Informações pré-evento e cobertura do evento: Fotos: www.flickr.com/photos/embrapa Matérias: http://encontro.brasilcooperativo.coop.br/

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