CPT - Centro de Produções Técnicas

Perto de finalizar um investimento de R$ 70 milhões para aumentar a produção de iogurtes e de leite condensado e modernizar linhas de leite UHT, a Itambé Alimentos prepara-se para novos passos em 2015 que podem incluir a aquisição de uma unidade de produção de lácteos na região Sul do país. O presidente da companhia, Alexandre Almeida, afirma, em entrevista exclusiva ao Valor, que R$ 25 milhões do valor total estão sendo investidos para elevar de 5 mil toneladas mensais para 9 mil toneladas a capacidade de produção de iogurtes na unidade de Pará de Minas (MG). Segundo ele, os equipamentos para ampliar a produção entram em operação entre novembro deste ano e março de 2015. No caso do leite condensado, o investimento visa dobrar a capacidade de produção da linha com embalagem cartonada, que hoje é de 2.300 toneladas por mês, na unidade de Goiânia (GO). Outra parte do investimento é na modernização de embalagens da linha de leite UHT em Pará de Minas e também em aumento da capacidade de produção de leites especiais. A decisão de elevar a produção de iogurtes faz parte da estratégia da Itambé de ampliar sua presença em refrigerados em mercados onde já tem forte atuação, como Minas Gerais, Centro-Oeste, Distrito Federal e Rio de Janeiro, e também crescer no Estado de São Paulo e Estados do Nordeste, segundo Almeida, que preside a Itambé desde junho do ano passado, quando a Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR) concluiu a venda para a Vigor de 50% de participação no capital da Itambé. Afora os aportes para ampliar produção e modernizar linhas, a Itambé também acaba de relançar uma linha de queijos no mercado, produto que ficou "por anos" sem fabricar, diz Almeida. A linha inclui mozarela, prato e minas padrão. O executivo informa, sem dar detalhes, que o plano de investimentos para o próximo ano deve ser apreciado pelo conselho de administração em novembro. Mas ele dá uma pista do que pode estar entre os projetos da Itambé. "Há oportunidades de crescimento em lácteos", afirma, observando ver espaço para avanço em queijos e em produtos com baixa lactose. Ele admite ainda que a Itambé está "olhando oportunidades" na região Sul, uma bacia leiteira importante no país. De fato, a Itambé tentou adquirir a unidade que a LBR Lácteos Brasil colocou à venda em Tapejara (RS) dentro de seu plano de recuperação judicial, em agosto passado, mas acabou não levando. A unidade da LBR foi arrematada pela ARC Medical Logística. Uma fábrica no Sul do país permitiria à empresa mineira tirar proveito da sazonalidade na produção de leite no país – a safra de leite na região acontece durante a entressafra no Centro-Oeste e Sudeste. Hoje a Itambé tem cinco unidades. Além de Pará de Minas e Goiânia, tem outras três em Minas Gerais: Uberlândia, Sete Lagoas e Guanhães. De acordo com Almeida, a Itambé poderia comprar ou mesmo construir uma unidade de lácteos na região Sul. "Mas não estamos olhando nada específico agora", garante. Ter uma fábrica de refrigerados na região Nordeste do país também continua nos planos da Itambé, segundo Almeida. Ele afirma que, com a expansão da unidade de Pará de Minas, o Nordeste passará a ter maior oferta de refrigerados da Itambé. Essa é, segundo ele, uma "etapa preliminar neste sentido, ao criar um volume importante de consumo, que justifique o investimento" no Nordeste. Desde que a Vigor entrou no capital da Itambé, as vendas da empresa cresceram, mas Alexandre Almeida não faz estimativas sobre o desempenho deste ano. Em 2013, a companhia faturou R$ 2,3 bilhões. Mas ele também dá outra sinalização: apenas no primeiro semestre deste ano a receita da Itambé avançou 23% na comparação com o mesmo intervalo do ano passado. "Parte do crescimento veio do mercado interno e parte da exportação". Com um processamento diário de 3,5 milhões de litros de leite, em média, a Itambé recebe hoje 90% de sua necessidade de matéria-prima de cerca de 6.500 produtores ligados à CCPR, a central de cooperativas sócia da Vigor. Em junho do ano passado, quando Alexandre Almeida chegou à Itambé, eram processados, em média, 2,7 milhões de litros de leite por dia. De acordo com ele, a empresa tem potencial para expandir outros produtos refrigerados – tais como requeijão, leite fermentado e petit suisse. Capacidade para elevar essa produção a companhia já tem, assegura. Além de oportunidades de crescimento nas vendas no mercado doméstico, onde investiu R$ 20 milhões em marketing este ano, a Itambé também vê potencial no mercado externo. A empresa exporta hoje principalmente leite em pó para Venezuela e países da África. Mas busca desenvolver novos mercados, sobretudo para leite condensado, na África do Sul, Nigéria e Angola. A Itambé também está aproveitando a abertura de uma janela de oportunidades no mercado da Rússia, reflexo do embargo imposto pelo país a lácteos da União Europeia após sofrer sanções em decorrência do conflito na Ucrânia. Segundo Almeida, um contrato de exportação de manteiga já foi firmado, enquanto a habilitação da unidade exportadora está sendo finalizada.

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