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O juiz Heber Mendes Batista aceitou a venda da marca da Indústria de Alimentos Nilza, de Ribeirão Preto (SP). Avaliada em R$ 5,2 milhões, a marca Nilza foi arrematada por R$ 7 milhões pela Goiasminas Indústria de Laticínio, a Italac. A decisão foi proferida na última quarta-feira (22). De acordo com o administrador judicial da Leite Nilza, Alexandre Borges Leite, o lance havia sido proposto no dia 21 de novembro, data em que ocorreu o último leilão da massa falida da indústria. A Leite Nilza tem uma dívida estimada em R$ 500 milhões. Até o momento, foram arrematadas a marca e a unidade da indústria em Campo Belo (MG). As unidades de Ribeirão Preto e Itamonte (MG) não tiveram lances suficientes nos três leilões presenciais realizados em 2014, e deverão ser arrematadas via pregão eletrônico, com data a ser definida após publicação do edital. De acordo com a decisão, 30% do valor do lance deverá ser pago de forma imediata e o restante em 24 parcelas. Para Leite, a aquisição é satisfatória, uma vez que o valor oferecido no lance é superior ao avaliado para a marca. O administrador judicial também acredita que a compra da Nilza pela empresa goiana vai garantir a volta da marca às prateleiras de supermercados de Ribeirão Preto (SP) e região. "A marca Nilza é muito conhecida na região de Ribeirão Preto. Apesar de a Leite Nilza não ser mais a responsável pela produção, o consumidor vai voltar a encontrar a marca Nilza no leite, na manteiga. E isso feito por uma empresa que tem produtos de qualidade", afirma. Procurada pelo G1, a Italac não informou, até a publicação desta matéria, se reativará a marca Nilza no mercado. <b>Falência</b> Falida em 2011, a dívida da Leite Nilza está estimada em R$ 500 milhões. Cerca de 3,3 mil fornecedores devem receber em torno de R$ 232 milhões e pelo menos 1.186 ex-funcionários não tiveram os direitos trabalhistas pagos – débito calculado em R$ 13,8 milhões. Além disso, há ainda R$ 141 milhões como garantia real e R$ 20 milhões em crédito extraconcursal. A Indústria de Alimentos Nilza surgiu em 2004 da organização de sete cooperativas. Dois anos depois, ela foi comprada por Adhemar de Barros Neto, que iniciou um plano de expansão. Em 2008, a indústria comprou as unidades de Itamonte e Campo Belo da Montelac Alimentos S.A, passando a processar 1,5 milhão de litros de leite por dia em suas três unidades, que contavam com mil profissionais. No mesmo ano das aquisições, no entanto, veio a crise no setor leiteiro brasileiro e a dificuldade de obtenção de créditos bancários com os problemas financeiros no setor imobiliário dos Estados Unidos. Em janeiro de 2011, o juiz da 4ª Vara Cível de Ribeirão Preto decretou a falência da empresa após constatar uma série de fraudes no processo de recuperação judicial e na negociação de venda da companhia para a empresa Airex, que aparecia em seus registros com sede em Manaus (AM), o que também chegou a ser investigado. Cinco meses depois, a decisão de falência foi revogada e 40 funcionários foram recontratados para trabalhar na Nilza. Foram feitos testes no laticínio, mas a produção comercial não chegou a acontecer. Então, em outubro de 2012, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decretou a segunda falência, que dura até hoje.

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