CPT - Centro de Produções Técnicas

Com o objetivo de aprimorar a produção e expandir o mercado de atuação, as queijarias artesanais localizadas em Minas Gerais têm investido na regularização da produção. O incentivo vem do Programa de apoio à Regularização da Agroindústria Familiar de Pequeno Porte, que permite que as agroindústrias de pequeno e médio portes obtenham habilitação provisória de comercialização, enquanto cumprem as exigências necessárias para a regulamentação definitiva, que é concedida pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). No caso dos queijos, as agroindústrias que cumprem todos as metas estabelecidas pelo IMA conquistam o registro de queijaria artesanal com adesão ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi/POA), habilitação que permite a comercialização dos queijos em todas as unidades da federação. Além dos queijos, o programa de regularização abrange os demais produtos de origem animal e derivados, como as carnes, ovos, leite, pescado e mel. Em Minas Gerais existem 250 agroindústrias em processo de regulamentação distribuídas em todas as regiões do Estado. Outras 150 estão aguardando a visita de técnicos do IMA pra iniciar o processo. Ao todo, são 100 queijarias mineiras em processo de regularização para obtenção do Sisbi/POA. Dentre as metas a serem cumpridas estão, por exemplo, a melhoria da sanidade do rebanho, a realização de exame de saúde dos trabalhadores envolvidos na atividade, a qualidade da água, que deve ser clorada e filtrada, a participação em cursos de boas práticas de fabricação, adequações físicas, entre outras. Adesão – De acordo com o gerente de Educação Sanitária e Apoio à Agroindústria Familiar do IMA, Gilson Sales, a regularização da unidade produtiva é um grande passo para os produtores, já que a adesão ao Sisbi/POA permite a comercialização de queijos de todo o País. "Além de atestar a qualidade do queijo e da unidade produtora, a possibilidade de negociar com os demais estados do País é fundamental para a agregação de valor e aumento da renda familiar. O grande diferencial do programa em Minas Gerais é permitir que o produtor que ingressar no projeto possa comercializar a produção, através de uma habilitação provisória, enquanto cumpre as metas estabelecidas. Isso permite que ele se mantenha capitalizado e com condições de investir", ressaltou Sales. O primeiro registro de queijaria artesanal foi concedido à Estância Capim Canastra, localizada em São Roque de Minas, na região Central do Estado. Segundo as informações do IMA, a fazenda, que assinou termo de compromisso para regularização da produção artesanal de queijo, conforme Lei Estadual 19.476 – conhecida como Lei da Agroindústria Familiar -, cumpriu todas as etapas estabelecidas junto ao IMA há dois anos. "Fomos a primeira agroindústria a conquistar o Sisbi/POA e nossas expectativas são muito positivas, principalmente pela oportunidade de comercializarmos, formalmente, o nosso queijo nos demais estados. Pretendo, através da Associação de Produtores de Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra (Aprocan), buscar incentivar que outros produtores também invistam no processo, que é fundamental para a diversificação do mercado e para agregar valor ao queijo canastra", avaliou o produtor de queijos da Estância Capim Canastra, veterinário Guilherme Ferreira. <b>Produtor mineiro é premiado em concurso francês</b> Os cuidados redobrados e a preocupação com a excelência do processo de produção do queijo canastra na Estância Capim Canastra, localizada em São Roque de Minas, na região Central do Estado são os principais fatores que justificam a qualidade superior da iguaria. Todos os investimentos têm proporcionado ao produtor de queijos, veterinário Guilherme Ferreira, Além de agregar valor ao produto, Ferreira foi o primeiro brasileiro a conquistar uma medalha de prata no concurso "Mondial du Fromage et des Produits Laitières" (Mundial do Queijo e dos Produtos Lácteos), realizado em Tours, na França, um dos principais concursos de queijo do mundo. De acordo com Ferreira, a premiação é um reconhecimento de todo o trabalho desenvolvido na unidade produtora, que é familiar. O queijo participou do concurso em uma das categorias mais disputadas a "Queijo de massa prensada não cozida de leite cru de vaca" e concorreu com outros reconhecidos internacionalmente, como o francês saint nectaire, o espanhol manchego e a raclette suíça. No processo, foram avaliados 600 queijos produzidos em 23 países. "A premiação foi uma surpresa muito agradável, já que nossa inscrição foi feita pela jornalista Débora Pereira. Nossa principal preocupação é a produção de um queijo canastra de alta qualidade e a premiação na França veio reconhecer todo esse nosso esforço.  uma oportunidade para que o queijo minas artesanal da Serra da Canastra seja reconhecido mundialmente, trazendo benefícios para toda a regiãoõ", avaliou. Ainda segundo Ferreira, a produção de queijos é uma tradição na família. A formação em medicina veterinária contribui para o desenvolvimento da produção na Estância Capim Branco. Na região da Canastra, a produção de queijos enfrenta grandes desafios como a falta de reconhecimento, o que obriga vários produtores a venderem os queijos a preços inferiores aos custos, o que desestimula a continuidade da atividade. Qualidade – "Sou a quinta geração da família na produção de queijo canastra e os investimentos em qualidade têm proporcionado resultados muito favoráveis e retorno financeiro. Produzir queijo é um desafio e meu objetivo é contribuir para que outros produtores da região também invistam nos processos para que o queijo canastra se torne uma atividade rentável", ressaltou. Com a premiação na França, a demanda pelo queijo da Estância Capim Canastra triplicou e a produção atual de 650 peças por mês não é mais suficiente para atender a todo o mercado. Além da demanda interna, Ferreira vem recebendo até propostas para exportar o queijo. "Mesmo com a demanda em alta não pretendemos ampliar o volume de produção para não prejudicar a qualidade. Estamos avaliando as possibilidades, no mercado interno a demanda maior vem de Minas Gerais e São Paulo, principalmente de restaurantes finos, empórios e queijarias. Atingindo esse mercado diferenciado, conseguimos agregar maior valor ao nosso queijo, que é negociado a R$ 50 por peça", observou. Os investimentos para que o queijo seja ainda mais reconhecido no mercado, assim como a região da Canastra, são constantes. A produção de Ferreira está em processo de avaliação para ser comercializada com o selo de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência (IP), com a marca "Região do Queijo da Canastra".

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