CPT - Centro de Produções Técnicas

O secretário regional da Agricultura dos Açores defendeu hoje uma melhoria da qualidade dos produtos lácteos produzidos na ilha Terceira como solução para o aumento do preço do litro de leite pago ao produtor. "Há que encontrar outras formas de chegar aos mercados de destino com produtos diferenciados, com produtos de mais-valia, que possam enriquecer toda a cadeia que o negócio do leite gera e que possa permitir remunerar melhor aqueles que produzem e que colocam na indústria o seu produto", salientou. Luís Neto Viveiros falava em declarações aos jornalistas à saída de uma reunião com a Associação Agrícola da Ilha Terceira (AAIT) e a Associação de Jovens Agricultores Terceirenses (AJAT), em Angra do Heroísmo. Os agricultores da ilha Terceira queixam-se da quebra do preço do leite e alegam que não vão conseguir manter as explorações agrícolas "por muito mais tempo" se o preço se mantiver baixo. Na quinta-feira, as duas associações reuniram-se com a Unicol (União de Cooperativas de Lacticínios Terceirenses) e decidiram dar um prazo até "março, abril" para que a entidade resolva o problema. "Há um acordo de dar algum tempo à direção da Unicol para se tentar reorganizar e conseguir algo que nos venha trazer outra estabilidade", disse aos jornalistas, na quinta-feira, à saída da reunião, José António Azevedo, da AAIT. Nos últimos seis meses, o preço do leite na ilha Terceira caiu seis cêntimos, o que representa uma descida de 16%. Em julho, o preço do leite caiu um cêntimo, em outubro, dois cêntimos, e agora foi anunciada uma quebra de três cêntimos, o que fixa o preço do litro de leite em 25 cêntimos. "Vamos dar o benefício da dúvida, vamos esperar o tempo que foi proposto, mas é claro que nós não conseguimos suportar isto por muito mais tempo", salientou o presidente da AAIT. Os agricultores da ilha Terceira queixam-se também da diferença "substantiva" do preço do leite em comparação com o que é praticado na ilha de São Miguel, onde existem três fábricas, quando na Terceira a maior parte do leite é laborada numa única fábrica. Se até abril a Unicol não resolver o problema, as associações agrícolas ameaçam mostrar o peso que a lavoura tem na ilha. "Nós é que temos o produto, temos os produtores e a lavoura tem muito mais peso do que aquilo que pensa. Espero é que não seja necessário ver realmente o peso da lavoura, que as coisas se resolvam pelos trâmites legais", frisou José António Azevedo. No final da reunião de hoje com as associações agrícolas, o secretário regional da Agricultura salientou que o executivo açoriano não pode "interferir na definição" do preço do leite, que "resulta da negociação entre quem compra e quem vende", mas garantiu que o Governo está "atento" ao problema. Para Luís Neto Viveiros, face à conjuntura nacional e internacional e à produção reduzida da ilha Terceira, a solução deve passar pela valorização dos produtos lácteos e deve ser implementada com "urgência".

Banner CHR Hansen 2020

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here