CPT - Centro de Produções Técnicas

A produção de leite no Estado de Goiás cresceu e quase dobrou nos últimos dez anos em função dos investimentos feitos pelos produtores no campo tecnológico e melhor manejo, bem como os incentivos do governo do Estado, na era Marconi Perillo, visando a atração de novas indústrias e redução de impostos. Apesar do avanço na produção e melhoria da qualidade do produto, a renda do produtor rural ficou aquém da esperada. Mudar esta realidade é o novo desafio do setor, diz Edson Alves Novaes, economista da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Faeg). Segundo ele, em 1994 o Estado produzia 1.450.158 litros de leite/ano, muito pouco para sua real potencialidade. Essa deficiência na produção já havia sido detectada pela Faeg, que em 1993 havia iniciado diagnóstico de toda a cadeia produtiva do leite no Estado. O objetivo era descobrir onde estavam os gargalos do setor. A partir de então, foram elaboradas propostas com a finalidade de elevar a produção, a qualidade do leite e a renda do produtor, explica Edson Novaes. O trabalho durou 14 meses e o plano elaborado foi apresentado em três reuniões no interior do Estado e as propostas foram validadas por mais de 4 mil produtores rurais. Para dar andamento aos trabalhos foram criadas 70 comissões de pecuária de leite que passaram a atuar em várias regiões do Estado. Entre os objetivos principais do projeto estavam a busca pela profissionalização do setor. O trabalho foi feito em duas vertentes: uma voltada para a melhoria da eficiência no sistema de produção, também chamada pelos técnicos de “porteira para dentro”, e outra focando a organização dos produtores politicamente, ou seja, sindicalizando, estimulando o cooperativismo, e melhorando o gerenciamento da atividade. Essa vertente foi batizada pelos técnicos de “porteira para fora”, recorda o economista da Faeg. Também foram realizadas várias viagens técnicas ao interior do Estado, seminários, cursos técnicos, de treinamento e atualização dos produtores. Eles também passaram a investir mais em melhoria genética, técnicas de inseminação artificial, tecnologia e mecanização da produção, tanques de resfriamento na propriedade e outros que resultaram num aumento de produtividade de 48,13% só nos últimos dez anos. Um exemplo deste investimento feito para aumentar a eficiência e melhorar a qualidade do leite é o índice de resfriamento do leite na propriedade. Em 1994, menos de 10% das propriedades possuíam tanques de resfriamento. Hoje esse percentual passa de 90%. Para ilustrar melhor, Edson Novaes compara a produção média por animal em 1995, que era de 541 litros de leite por vaca ao ano para 1.124 litros de leite por vaca ao ano em 2004. “Apesar da melhora, essa produtividade por animal ainda é pequena se comparada à de países como a Nova Zelândia ou países da União Européia”, afirma. Ele diz ainda que em termos de produção o crescimento do setor entre 1994 e 2005 foi de 98,36%, passando de 1.450.158 litros de leite/ano para 2.876.479 litros de leite/ano. De acordo com o economista da Faeg, a média de crescimento ao ano entre 1994 e 2005 foi de 7,61%, sendo que, entre 2004 e 2005, chegou a 13,32%. Essa melhoria no desempenho do setor no período, acrescenta Edson Novaes, deve-se ao trabalho feito a partir de 1993 pela Faeg, somado aos investimentos do produtor rural no campo tecnológico e do conhecimento, mas, principalmente, pelo incentivo do governo do Estado. Entre os principais incentivos dados pelo governo para estimular a produção, ele destaca os investimentos no aumento do parque industrial e a redução de impostos como o ICMS (da indústria para o consumidor), que passou de 17% para 5% em alguns produtos e isento (zero%) do produtor para a indústria. Como resultado deste trabalho conjunto, o Estado de Goiás, até então 5º colocado no ranking nacional de produção de leite, passou em 1996 para a segunda posição no ranking dos Estados. (Fonte: Diário da Manhã/GO, adaptado pela Equipe Milknet)

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