CPT - Centro de Produções Técnicas

O queijo de ovelha da Serra da Estrela vai ser promovido no fim de semana do Carnaval nos concelhos de Seia, Gouveia, Celorico da Beira e Manteigas, em certames organizados pelas câmaras municipais. Os quatro municípios do distrito da Guarda aproveitam uma época do ano em que muitos turistas acorrem à região para divulgar um dos produtos mais emblemáticos e homenagear os pastores e as queijeiras. Em Celorico da Beira, vila que possui o epíteto de “Capital do Queijo Serra da Estrela”, as atividades integradas na feira do queijo vão decorrer entre sexta-feira (13) e o dia 21. O concelho tem mais de 60 produtores, reconhecendo o presidente da câmara, José Monteiro, tratar-se de um setor “que emprega muita gente, na ordem das 400 pessoas, o que equivale à presença de uma [empresa] multinacional”. O programa do certame inclui a venda de queijo da Serra da Estrela, feito com leite de ovelha, certificado e não certificado, produtos regionais e artesanato, animação, espetáculos musicais e um desfile de carnaval, entre outras atividades. No vizinho concelho de Gouveia, o queijo é divulgado durante a ExpoSerra – Feira de Atividades Económicas da Serra da Estrela, a realizar entre sexta-feira (13) e o dia de Carnaval (17). O certame, que inclui feira do queijo, artesanato, gastronomia, o evento “Carnaval na Serra” e animação, tem como objetivo “vender e expor marcas e produtos” da região e “oferecer aos gouveenses e turistas uma mais alargada oferta cultural, envolvendo-os nas ações promovidas pelo município”. A autarquia de Seia vai realizar dias 14 e 15, um sábado e um domingo, mais uma edição da Feira do Queijo Serra da Estrela, no edifício do Mercado Municipal e na zona envolvente. Segundo a organização, para o evento anual foram convidados “todos os produtores de queijo e de produtos regionais de reconhecido valor”, como o pão, o vinho do Dão, os enchidos, a lã e o mel. A Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Serra da Estrela, a Liga dos Criadores e Amigos do Cão da Serra e a Confraria do Cão Serra da Estrela farão, durante a feira, a recriação de uma quinta do pastor, é anunciado. A câmara de Manteigas também promove entre os dias 14 e 17, no recinto do Mercado Municipal, a XXII Expo Estrela – Mostra de Atividades e Feira de Artesanato, para divulgar as potencialidades locais, incluindo o queijo de ovelha tradicional, junto dos visitantes da Serra da Estrela. O evento contará com expositores de artesanato, comércio, indústria, serviços, associativismo, gastronomia, animação, um desfile de Carnaval e animação. Para mais tarde ficam as feiras do queijo de Fornos de Algodres (14 e 15 de março) e de Aguiar da Beira (01 de março). A região demarcada de produção do queijo Serra da Estrela abrange os concelhos de Guarda, Fornos de Algodres, Celorico da Beira, Gouveia, Manteigas, Seia, Oliveira do Hospital, Penalva do Castelo, Mangualde e Covilhã, entre outros. Pastor de Gouveia é um dos últimos homens a fazer queijo da Serra da Estrela Armindo Ferreira, 61 anos, da aldeia de Cativelos, Gouveia, na Serra da Estrela, é pastor e também faz queijo de ovelha artesanal, uma tarefa que tradicionalmente está associada às mulheres. O homem, que diz ser um dos últimos queijeiros da região da Serra da Estrela, contou à agência Lusa que faz queijo desde jovem e que aprendeu a aptidão com a mãe. “Eu, na altura, olhava e via”, disse, referindo que, no início, pensava que não seria capaz de fazer um queijo, mas aos 24 anos começou a produzir por conta própria e nunca mais parou. Com o passar dos anos aperfeiçoou a técnica e atualmente já trabalha a “brincar” na queijaria artesanal que possui no centro da aldeia onde vive. Armindo Ferreira contou que durante os meses da campanha de produção de queijo, que vai de outubro a junho, faz “todos os dias” aquele produto tradicional. “Não há sábados, não há domingos, não há feridos, não há nada. Nesta casa, todos os dias são dias de trabalho”, disse. O pastor e queijeiro afirma que em cada dia que passa sente “mais” orgulho por ser um dos últimos queijeiros da região e por produzir, de forma artesanal, o tão afamado queijo obtido a partir do leite de ovelha cru da raça bordaleira, com a adição de sal e cardo. “Costumo dizer que sou o homem das sete profissões. Tenho que ser queijeiro, pastor, agricultor, enfim, tenho várias tarefas ao longo do dia. Às vezes, há gente que se queixa que não tem trabalho, outros estão sobrecarregados com trabalho”, observou, bem-disposto. O homem cuida diariamente do rebanho de 140 ovelhas e também confeciona o queijo, com a ajuda da mulher, Maria Alice Almeida, de 60 anos. A queijeira lembra que “antigamente” os homens da região da Serra da Estrela “faziam o queijo”. Atualmente, isso já não acontece, com exceção do marido, porque “tudo vende o leite [para as fábricas de laticínios da região], já ninguém faz queijo”, explicou. Maria Alice Almeida gaba as qualidades de Armindo Ferreira e reconhece que fazendo também ele o queijo “é melhor do que estar só um” a suportar o funcionamento diário da queijaria tradicional. Das mãos do casal queijeiro saem, em média, entre cinco a seis queijos de ovelha por dia, que, após cumprirem as várias fases do processo de fabrico (que começa no momento em que o leite é coagulado e vai até à cura), são vendidos diretamente ao consumidor final, sem intermediários, como manda a tradição. O produtor referiu à Lusa que a sua queijaria produz anualmente uma média de mil unidades, embora a quantidade dependa sempre das características do ano, porque na agricultura “é sempre tudo incerto”. Armindo Ferreira, que comercializa o queijo com o rótulo “Queijaria do Armindo -Queijo Ovelha Curado”, lembra que no passado optou pelo processo de certificação, mas desistiu, sem querer adiantar as razões da decisão.

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