CPT - Centro de Produções Técnicas

Na última semana, a Comissão de Pecuária de Leite da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) se reuniu para discutir as principais dificuldades enfrentadas pelos produtores de leite do estado. Na ocasião, o presidente da entidade, José Mário Schreiner, fez questão de dar destaque a demora no pagamento, por parte das indústrias, para quem vive do mercado lácteo. “O leite é entregue e só depois disso o produtor fica sabendo quanto vai receber por ele. Não bastasse isso, os mesmos só vão receber pela entrega do seu produto depois de cerca de 55 dias, sem nenhum documento formal no momento da coleta do leite por parte das industrias”, disse. O tom de indignação foi compartilhado por produtores e membros da Comissão de Pecuária de Leite, que engrossaram o coro em pedido de mudanças no que diz respeito à cadeia produtiva da atividade. “É inadmissível, que o produtor de leite possa receber o seu produto depois de quase 55 dias. Por outro lado, as donas de casa e a população em geral pagam à vista pelos produtos derivados lácteos nos supermercados”, pontuou Schreiner, que também preside o Conselho Administrativo do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Goiás (Senar Goiás). “É inaceitável uma categoria econômica com a importância que tem o setor leiteiro para a economia de Goiás e para o país ainda trabalhe numa condição de praticamente informalidade. Sem sequer saber os preços do leite que está entregando. Essa é a situação de grande parte dos produtores de leite de Goiás e do nosso Brasil”, completou. Na ocasião, José Mário, relembrou o trabalho que vem sendo realizado pela Faeg, mesmo diante das altas instabilidades de preços durante o ano, a falta de assistência técnica, as variações climáticas e os aumentos dos custos de produção. “Algumas ações, como a análise dos casos de inadimplência no setor, já estão em andamento. Nesse caso, iremos encaminhar ao Congresso Nacional uma proposta para alteração da Lei de Recuperação Judicial. Queremos que haja mudança no status do produtor, de cliente quirografário, para prioritário, no recebimento dos valores que tem direito. A Lei da Recuperação Judicial veio para modificar e melhorar muitas coisas em relação à antiga legislação, porém, possui muitas distorções que podem ser melhoradas”, esclarece. <b>Situação de informalidade</b> Para José Mário, que também é vice-presidente diretor da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o atraso no pagamento caracteriza a situação de informalidade na qual os produtores vivem. “O ticket que recebem no momento da entrega do leite, por exemplo, não dá garantias e segurança jurídica nenhuma, principalmente em situações em que indústrias entram em processo de recuperação judicial, que tem acontecido de forma constante no setor”. Schreiner aproveitou a reunião para destacar a necessidade da participação de todos no que diz respeito à cadeia produtiva do leite. “A corda sempre arrebenta para o lado mais fraco. E esse lado é o do produtor que enfrenta inúmeros percalços para manter a produção e qualidade do seu produto para abastecer a nossa mesa e gerar excedentes exportáveis. Quem compra insumos, medicamentos, equipamentos ou paga a energia com até 55 dias de prazo? Quem vende sem saber o preço que vai receber? Quem vende e entrega o seu produto sem nenhum documento fiscal? Ninguém. Então, esperamos que haja o mesmo posicionamento justo para com os produtores de leite de Goiás e do nosso país”.

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