CPT - Centro de Produções Técnicas

As casas dos campos de cima da serra sempre espalham pelo ar um aroma delicioso, estimulante. Vem das cozinhas, onde espiar dentro das panelas não é feio, mas um convite. Quase uma obrigação. No fogão, as gurias preparam o carreteiro: uma espécie de risoto bem simples: arroz e charque picado – que é a carne seca gaúcha. Enquanto isso Dona Ivone pica a carne bem fininha, tempera e faz a linguiça caseira. No pilão, o Ari esmaga pinhão e charque e prepara paçoca. Unida, a família oferece uma comilança. Tudo ao estilo dos antigos tropeiros que andavam pelo Sul do país. Ivone do Amaral, aposentada: Quem come bem, sempre vive alegre. Porque a comida forte é o que sustenta mais as pessoas. Antigamente as pessoas comiam estas comidas mais fortes. Globo Repórter: E a senhora ainda come? Ivone do Amaral: Como, ainda bem. Globo Repórter: Quantos anos tem? Ivone do Amaral: Eu tenho 82. Globo Repórter: E tá aí, inteira e faceira. Ivone do Amaral: Graças a Deus. Raul Randon também já passou dos 80, na verdade tem 85 anos e construiu um lugar deliciosamente especial na região. Câmaras frias gigantes guardam um dos queijos preferidos por nove entre dez cozinheiros ou simplesmente donos de paladares mais exigentes: é o queijo tipo grana padano. Ninguém sabe ao certo se foram mãos medievais ou da antiguidade que misturaram o leite excedente, salgaram e acabaram criando um dos queijos mais famosos do mundo: o grana padano. Este tipo de queijo há séculos mantém o sabor forte, levemente doce e picante. E em câmaras frias são mantidos entre 12 e 18 meses até que estejam prontos para o consumo. Raul Randon tem outros negócios na região, mas decidiu produzir o famoso queijo por puro capricho. Foi o primeiro na América Latina a ter licença para fabricar o queijo fora da Itália. <b>Queijeiro explica como o produto que faz deve ser consumido</b> Ele conta que além da receita original, buscou o que o mercado oferecia de melhor para montar a fábrica. Até as vacas foram importadas. Dos Estados Unidos, porque na época tinham maior produtividade de leite. Globo Repórter: E como é que elas vieram para o Brasil? Raul Randon, empresário: De avião, de Boeing. Globo Repórter: Dois Boeings de vaca? Raul Randon, empresário: Dois Boeings de vaca. Chegaram em Porto Alegre, às 12h. Chegou um avião em Porto Alegre, e começa a descer vaca. E o pessoal dizendo, olhando. O queijeiro chique que tem olhos, ouvidos e o olfato bem treinados para reconhecer um bom grana padano é um encanto. E explica de um jeito engraçado, como o produto que faz deve ser consumido. Raul Randon: Eu sempre digo, você precisa comer com pouco queijo, mastigar ele bem, até sentir o paladar tudo, pra você sentir o que é o queijo. Não é como comer polenta. Globo Repórter: Não é para encher a barriga, é para apreciar, degustar. Raul Randon: Isso mesmo. É assim nos campos de cima da Serra. As pessoas fazem questão de manter essa receita de jeito simples mas caprichoso de ser, sem esquecer as tradições.

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