CPT - Centro de Produções Técnicas

Cooperativas e criadores de gado do Rio Grande do Sul estão investindo na produção de leite. No sítio do produtor César Soldi, em Nova Bréscia, o manejo é bem caprichado. A propriedade tem 27 hectares, 12 ocupados por vacas de leite. Com os bons preços dos últimos anos, ele conseguiu investir na criação. No ano passado construiu uma área coberta, com uma boa cama, que oferece conforto para os animais. “Gastei em torno de 80 mil na estrutura, sem as máquinas. No total foram cerca de 130, 140 mil reais”, afirma Soldi. Pra construir, César fez um financiamento pelo Pronaf e consegue pagar a conta porque está recebendo mais pelo litro de leite. Em torno de R$ 0,97. Ele é associado da Cosuel, a cooperativa do município de Encantado, que criou um programa pra ajudar o produtor a melhorar a qualidade do leite e a renda da família. “Nesta parceria com a cooperativa tenho todos os insumos praticamente a preço de custo, mais toda a assistência técnica. Se eu fosse pagar por isso tudo gastaria uns 20% mais”, declara. Com boa assistência e dedicação, ele vem conseguindo melhorar a produtividade. Com 22 vacas, César está produzindo 530 litros de leite por dia, o que dá uma média de 24 litros por animal. O próximo investimento na propriedade vai ser aumentar o rebanho e melhorar a genética dos animais. Hoje César tem vacas da raça jersey, holandesa e outras mestiças. A ideia é trocar tudo por holandês “Estamos montando um projeto pra dobrar a quantidade de animais, ficar em torno de 50 animais e subir a média também. Calculo em torno de 100 mil. Eu estou bastante animado. A gente consegue ganhar dinheiro com o que agente gosta de fazer”, diz. A produção do César vai para uma unidade da Cosuel, no município de Arroio do Meio. Construída há dois anos, fabrica leite em pó, longa vida, creme de leite e bebidas lácteas. “Essa unidade atingiu um valor ao redor de 100 milhões de reais. Nos últimos 10 anos a nossa cooperativa vem tendo um crescimento muito forte de pecuária leiteira. Então este parque industrial foi necessário para atender essa demanda que o nosso quadro social vem criando”, declara Carlos Alberto Freitas, presidente da cooperativa. A cooperativa recebe por dia cerca de 900 mil litros de leite. Até o ano que vem essa capacidade deve aumentar em quase 50% e passar para um milhão e trezentos mil litros por dia. Esse crescimento no setor vem acontecendo em todo o estado. Como explica o diretor do Instituto Gaúcho do Leite, Ardêmio Heineck. “Estão sendo mantidos preços ascendentes, que estimulam o produtor a ficar na atividade. Ao mesmo tempo está havendo uma expansão do consumo nacional, o consumo per capita subiu bastante, cerca de 140 litros por pessoa para hoje cerca de 170, podendo chegar a 250. Então tem espaço e horizonte. A perspectiva é extremamente promissora”, declara. Um problema da produção de leite do estado tem sido as fraudes. Desde 2013 casos de adulteração do leite com água oxigenada, álcool e soda cáustica estão sendo investigados. Uma situação que preocupa técnicos e produtores. “É uma minoria que pratica, mas essa minoria está identificada e será extirpada. Estamos criando mecanismos de penalização para o fraudado. Então, nesta linha, o mercado se expande sim, até porque o mercado tem convicção de que o lácteo gaúcho está sendo fiscalizado”, completa Heineck. O Rio Grande do Sul produz mais de quatro milhões de litros por ano, e divide com o Paraná o segundo lugar em produção leiteira no país. O primeiro é Minas Gerais.

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