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Há vários estudos que apontam para uma ligação entre o consumo de leite e produtos lácteos e um risco aumentado de desenvolver Parkinson, mas os cientistas ainda procuram estabelecer se há uma relação causa/efeito e como funciona. Cientistas de uma universidade japonesa vieram agora levantar a ponta do véu sobre um possível responsável: um pesticida, o Heptacloro epóxido. O estudo publicado na última edição da revista Neurology mostra que os participantes que consumiam mais leite tinham, décadas depois, menos células em áreas do cérebro ligadas à doença A descoberta foi possível graças a um estudo feito no Havai (EUA) nos anos 1980, na mesma altura que a região viveu um escândalo ambiental: um pesticida usado pelos produtores de ananás foi detetado no leite, através da alimentação das vacas. Por coincidência, na mesma altura esta a decorrer um estudo sobre doenças cardíacas que envolvia oito mil homens adultos. Os participantes eram acompanhados e tomavam nota do que comiam, incluindo da quantidade de leite ingerida. Como o estudo começou há três décadas muitos dos participantes já morreram e alguns doaram o cérebro à investigação, o que permitiu concluir que os homens que bebiam mais de dois copos de leite apresentavam redes de nervos mais finas nas regiões do cérebro afetadas pela doença de Parkinson, em comparação com aqueles que bebiam menos ou nenhum leite. Além disso, 90% dos que bebiam mais leite tinham resíduos de um pesticida chamado Heptacloro epóxido, contra apenas 63% dos outros. Através da análise de 449 cérebros, Robert Abbott e a sua equipa, da Shiga University of Medical Science no Japão, concluíram que a acumulação de Heptacloro epóxido ocorreu antes de as células serem danificadas, um sinal de que o químico era responsável por causar as alterações ligadas à doença de Parkinson. O Heptacloro epóxido, um pesticida usado no século passado, foi proibidos nos final dos anos 80. Abbott admite que não é possível saber se o leite contaminado foi a fonte do Heptacloro epóxido encontrado no cérebro dos homens, mas considera que é uma hipótese razoável. Por outro lado, não é possível excluir a possibilidade de se tratar de uma coincidência. No entanto, adverte que a descoberta não significa que as pessoas que bebem mais leite estejam em risco. Apenas que vem reforçar a ideia de que "a dieta pode de facto ser importante no desenvolvimento de Parkinson".

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