CPT - Centro de Produções Técnicas

Apesar do Brasil ser o maior produtor de ovinos da América do Sul e um dos maiores de caprino, não há um planejamento estratégico para a cadeia produtiva e a ausência de registros e dados enfraquecem a inserção do produto no mercado. Estas e outras informações fazem parte do Estudo do Complexo da Ovinocaprinocultura no Brasil, realizado pelo Sebrae Paraíba, e que será apresentado em João Pessoa, nesta quinta-feira (05), na Casa Roccia, às 14h. No mesmo dia, também haverá uma degustação de queijos de cabra, a partir das 11h. O evento irá reunir representantes do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC), do Sebrae Nacional, do Governo do Estado, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), dos Sebraes Paraíba e outros estados do Nordeste, além de empresários nordestinos e da empresa paranaense Batavo. “Além de apresentar os fatores que têm limitado uma maior eficiência das intervenções promovidas pelo Governo e pelo Sebrae na cadeia produtiva da ovinocaprinocultura do Brasil, o relatório propõe soluções que ajudem a promover a sustentabilidade do setor. O grande objetivo desse estudo, que iniciou há três anos, é promover um desempenho eficiente e rentável desta atividade produtiva”, destaca o coordenador do estudo e analista do Sebrae Paraíba, Jucieux Palmeira. “Queremos mostrar que, apesar dos problemas, a cadeia produtiva da ovinocaprinocultura no Brasil é viável, representativa e socialmente importante. Os relatos evidenciam a capacidade produtiva instalada e o enorme potencial para o desenvolvimento de todos os elos dessa cadeia. Precisamos aplicar metodologias eficientes, através de mecanismos práticos e eficazes, que permitirão ao produtor rural o desenvolvimento da sua capacidade empreendedora”, disse o analista do Sebrae Paraíba. O trabalho apresenta uma análise comparativa da cadeia produtiva do Brasil e de cinco países visitados pelos técnicos do estudo (Reino Unido, Espanha, Uruguai, Austrália e Nova Zelândia). “Fizemos um trabalho de benchmarking internacional para conhecer a cadeia produtiva de sucesso desses países. Por que não podemos adotar esses modelos aqui também? Parte da Espanha, por exemplo, tem o clima muito parecido com o do Nordeste brasileiro”, completou Jucieux. Entraves De acordo com dados de 2011 do IBGE, o Brasil possui um rebanho de cerca de 17,3 milhões de cabeças de ovinos, sendo 56% na região Nordeste. Já o rebanho de caprinos no país era de 9,3 milhões de cabeças, em 2011, sendo 90% na região Nordeste, tendo a Bahia como principal estado produtor. O rebanho vem crescendo e o mercado consumidor apresenta aumento na demanda por produtos deste complexo. No entanto, tem crescido a importação de carne de ovinos e peles de caprinos, além de toda a linha de laticínios. Ainda segundo o Estudo, o consumo no Brasil é de aproximadamente 0,7 kg de carne ovina por habitante por ano, quantidade bem distante dos 35 Kg de carne bovina e 28 Kg de carne de frango consumidos por pessoa no Brasil. A oferta de carne de ovinos em pontos de consumo como bares e restaurantes cresce no Brasil, porém, a baixa oferta de carne resfriada e cortes congelados nos supermercados dificulta o desenvolvimento mercadológico dos produtos derivados da ovinocaprinocultura. As pesquisas do Estudo apontam também que aproximadamente 90% do abate de ovinos e caprinos no Brasil acontece em condições sanitárias impróprias e de forma clandestina, sem controle sanitário, quebrando o elo da produção e diminuindo a oferta de produtos de qualidade nos mercados consumidores.

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