CPT - Centro de Produções Técnicas

Depois de amargar mais de quatro anos de seca, os rebanhos bovinos do semiárido da Bahia foram dizimados ou vendidos, afetando a produção de carne, mas também do leite e seus derivados. Dados da Pesquisa Pecuária Municipal do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) entre os anos de 2010 e 2012 mostram os efeitos da estiagem. O número de vacas ordenhadas na Bahia variou negativamente desde 2010, quando eram 2.211.683 animais, passando a 2.104.008 em 2011, e chegando a 1.943.015 cabeças em 2012. A produção de leite também decresceu ao longo destes anos, indo de 1.238.547 de litros, em 2010, para 1.181.339 em 2011 e 1.079.097 em 2012. Os números de 2013 serão divulgados pelo IBGE em dezembro próximo. <b>Recuperação</b> "O quadro é mais grave quando se trata de vacas leiteiras, que tem que, recuperar o peso corporal, serem inseminadas de forma natural ou artificial, passarem por uma gestação de 11 meses, até voltaram a produzir leite, num processo que demora até dois anos", lembra Paulo Cintra, presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Leite do Estado da Bahia (Sindileite – BA). A situação só não é pior, ressalva, devido ao tamanho e diversidade de microclimas da Bahia. Ele explica que com a seca, a produção leiteira se deslocou para as regiões sul e extremo sul. Novas fábricas foram abertas e outras tiveram sua linha de produção duplicadas. Mas Paulo Cintra acredita que o período de estiagem, que consumiu as reservas forrageiras dos criadores baiano, obrigou o setor a buscar novas saídas. Entre estas a adoção de técnicas aplicadas por criadores de Israel que, em Negev, um dos desertos mais secos do mundo, alcança repetidos recordes mundiais de produção leiteira. Ele ressalva porém, que é uma tecnologia cara, mas que dá resultado, dependendo da ação governamental trazer para terras baianas esta nova forma de produção de leite. <b>Estratégias</b> O debate sobre este quadro que também atinge os demais estados nordestinos, assim como estratégias para o desenvolvimento da atividade leiteira e os principais rumos do segmento de laticínios na região são temas do Interleite Nordeste (Simpósio Internacional sobre a Produção Competitiva de Leite), que acontece nos dias 5 e 6 de novembro, em Salvador. O evento conta com participação do ministro da Integração Nacional, Francisco José Coelho Teixeira, que vai falar da importância da integração de bacias hidrográficas no Nordeste para a sustentabilidade da atividade leiteira em áreas irrigadas. Estima-se público de 600 pessoas, entre produtores, industriais, empresários e estudantes. <b>Com recorde em produtividade de leite, pecuária de Israel é exemplo</b> Os agrônomos de Israel foram pioneiros em biotecnologia agrícola, irrigação gota-a-gota, solarização dos solos e na reciclagem de águas de esgoto para uso agrícola. Eles prosseguiram com a manufaturação de produtos comercializáveis, desde sementes e biopesticidas produzidos pela engenharia genética a plásticos foto-degradáveis e sistemas computadorizados para irrigação e fertilização do rebanho. Os recordes de produtividade também se verificam na produção de leite, que, em Israel, está em cerca de 12 mil litros por vaca ao ano, a maior do mundo (no Brasil, a media não chega a 1.500 litros). Através da produção de esperma e óvulos de gado de raça, o país elevou o nível de seu rebanho. <b>Manejo</b> Na contramão, em dez anos, o número de fazendas de leite no país caiu 30%, enquanto a produção aumentou 9%. Na maioria das propriedades não existe pasto. Mas o que chama a atenção de quem é acostumado a ver criações extensivas, a exemplo do que ocorre no Brasil, são as técnicas de manejo adotadas. Na maioria das propriedades leiteiras israelenses não há pasto. As vacas são confinadas em galpões, com teto que abre e fecha e com ventilação controlada. Empresas israelenses, presentes em 50 países, introduziram os primeiros sistemas de monitoramento de rebanho e fornecem ferramentas para maximizar a eficiência das fazendas de leite. Um dos programas coleta informações de cada animal, constrói um banco de dados e gera relatórios em tempo real sobre a saúde do rebanho, a quantidade e a qualidade do leite. Detecção de cios Os criadores de Israel também adotaram sistemas para detecção de cios (bom manejo reprodutivo na fazenda) que já foi instalado em mais de 8 mil fazendas em várias partes do mundo.

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