CPT - Centro de Produções Técnicas

No Estado que é o maior produtor de leite do país, a indústria de laticínios está mudando seus planos este ano por causa do risco de falta de água. Algumas das maiores empresas do setor em Minas Gerais dizem que a preocupação generalizada é com a redução do volume dos poços artesianos e da vazão dos rios de onde captam a água. Com o abastecimento incerto, por causa da estiagem que perdura, quem poderia investir para crescer pensa duas vezes. "Estamos tentando autorização para fazer captação num curso de água, um córrego próximo à fábrica. Teríamos de tratar essa água e isso aumentaria nossos custos. Seria um investimento não para aumentar a produção, mas para tratamento de água, para geradores", afirma Alessandro Rios, presidente do laticínio Verde Campo. Segundo ele, a empresa acaba de contratar um consultor para identificar formas novas de reduzir o consumo na fábrica. "E também para pensar o que fazer numa eventual situação de falta de água, como, por exemplo, outras fontes." A Verde Campo usa água de poços artesianos. João Bosco Ferreira, presidente da Cemil, que faturou R$ 504 milhões em 2014, diz que este ano não fará investimentos. "A disposição para investimento este ano é zero por causa do risco de falta de energia, de água e também por causa da economia do país", afirma. A Cemil estreia dentro de um mês um sistema de reúso de 60% da água. Hoje, seu consumo é de 2 milhões de litros por dia vindos do córrego Canavial e poços artesianos. "Felizmente, não dependemos da Copasa ", afirma ele sobre a estatal de saneamento e esgoto que opera na maioria dos municípios de Minas. Na semana passada, a Copasa apresentou um quadro crítico sobre o abastecimento no Estado e afirmou que um racionamento não está descartado. Uma campanha iniciada esta semana pede a todos um esforço para reduzir o consumo em 30%. Muitos dos médios e grandes laticínios de Minas adotam há anos medidas para reduzir o consumo de água e dizem não ter muito mais para cortar sem afetar a produção. "Se a gente tiver que restringir a produção, isso gerará um impacto negativo em relação aos preços, puxando-os para cima", diz Celso Moreira, diretor-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do Estado de Minas Gerais (Silemg). Como a Verde Campo e a Cemil, a Embaré, que faturou pouco mais de R$ 1 bilhão em 2014, também vê seus poços artesianos com uma vazão menor que o normal. Segundo o presidente da Embaré, Hamilton Antunes, a empresa planeja refinar o tratamento de efluentes com o intuito de aliviar os poços. "Poderemos usar parte dessa água mais tratada dos efluentes na lavagem de pátios, de caminhões e talvez muitas fazendas poderão querer usá-la na irrigação de seus pastos", afirma. Embora a oferta de leite das fazendas não tenha sido, de modo geral, afetada pala pouca chuva, alguns laticínios já detectam uma tendência de queda na disponibilidade porque os pastos estão recebendo menos água. Antunes fala em investir R$ 25 milhões este ano. Não só em aumento de produção. "Tem hora que a gente tem que olhar para o outro lado, para a infraestrutura, para o suprimento de água e energia." Água é insumo importantíssimo na industrialização de leite e derivados. A produção de leite do Estado está em 9 bilhões de litros por ano, o que significa, segundo Moreira, do Silemg, cerca de 27 bilhões de litros de água consumidos por ano no processo industrial. A água entra na limpeza de silos, de circuitos de linha de produção, dos caminhões tanque, nos processos de resfriamento, entre outras atividades das fábricas. Segundo o último dado que o sindicato dispõe, Minas tem 956 laticínios com um faturamento que totaliza R$ 20 bilhões. Os 9 bilhões de litros de leite representam cerca de 25% da produção do Brasil. Por email, a Itambé informou que também sente queda no volume de água captado em rios, mas que a redução do volume nos poços artesianos está controlada. A empresa diz que o impacto da seca sobre seu negócio é limitado. Apesar das incertezas, os laticínios mineiros não esperam, ao menos por ora, um quadro caótico de esgotamento da água. É o caso do laticínio Porto Alegre. "Isso nem passa pela nossa cabeça", diz o gerente industrial Silvano Martins, ao ser questionado sobre o que a empresa faria se o ribeirão Oratório de onde vem a água da fábrica matriz, em Ponte Nova, secar. "Hoje não temos uma alternativa clara para o caso de o ribeirão ficar seco." No próximo dia 5, secretários estaduais de meio ambiente e de agricultura vão se reunir com as ministras Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Kátia Abreu (Agricultura) para discutir soluções para os problemas causados pelo baixo volume de chuvas que afetando o abastecimento de água no Sudeste e no Nordeste.

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