CPT - Centro de Produções Técnicas

pós um protesto de funcionários e agricultores na SC-283 que durou sete horas, em frente ao Laticínios Mondaí, no município de Mondaí, a empresa encaminhou uma nota anunciando a suspensão temporária das atividades. Com a notícia inesperada, a mobilização acabou dissolvida. Enquanto cerca de 140 funcionários reivindicavam a retomada da produção e a garantia do emprego, os agricultores reclamavam do pagamento do leite que não foi entregue entre julho e setembro. — Ficamos surpresos com a nota e não resolvia nada nós permanecermos — afirmou o coordenador da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul), Alexandre Bergamin. No dia 19 de agosto, nove pessoas — entre diretores e funcionários da empresa —foram presas suspeitas de adulteração de leite, nas operações Leite Adulterado I e II, promovida pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco). De acordo com o Promotor de Justiça Fabrício Pinto Weiblen, oito pessoas continuam presas enquanto o processo está em fase de produção de provas. Após a denúncia, a Laticínios Mondaí passou a operar em Regime Especial de Fiscalização e boa parte da produção acabou descartada. De acordo com a Fetraf-Sul, quase duas mil famílias dependem da empresa e a dívida chega a R$ 5,5 milhões. Os agricultores e a empresa estavam negociando o pagamento. A Laticínios Mondaí apresentou uma proposta de pagamento de 10% do valor até o final de dezembro e o restante até dez dias depois da retomada das atividades. Os agricultores encaminharam uma contraproposta pedindo o total fosse recebido em cinco parcelas mensais. Na tarde desta terça-feira, a empresa se manifestou por meio de nota para os representantes do agricultores. No texto, a Laticínios Mondaí informou que estava trabalhando com apenas cinco mil litros dia após o Regime Especial de Fiscalização do Ministério da Agricultura, o que representa 2,5% da capacidade. A empresa alegou que estava negociando um financiamento bancário quando foi supreendida nesta segunda-feira com uma decisão judicial bloqueando os bens. Leia um trecho da nota: "Tendo em vista todo o acima exposto a empresa decidiu suspender temporariamente suas atividades a contar de hoje, 11 de novembro, objetivando não elevar ainda mais seus passivos de natureza trabalhista, previdenciária, fundiária e gastos com energia elétrica e todos os demais decorrentes da atividade. A paralisação temporária das atividades permitirá a reorganização da empresa, para que a mesma seja vendida ou então sejam obtidos recursos através de financiamentos ou até mesmo de investidores que tenham interesse no negócio em parte ou no seu todo". <b>Nova reunião ocorre nesta quarta-feira</b> Só depois da reorganização, a empresa poderá pagar as dívidas, segundo a nota. O Laticínios Mondaí disse que vai manter funcionários para conservar a planta industrial até que ocorra um desfecho. Entretanto, não informou sobre o destino dos demais funcionários. Em contato com a empresa, uma funcionária disse à reportagem que não havia ninguém para falar e não quis passar o telefone dos diretores. A contadora da empresa, Ivete Stiegelmayer, declarou em entrevista à Rádio Porto Feliz que já haviam sido emitidos 35 avisos prévios de demissão. Uma nova reunião com representantes dos agricultores, funcionários, transportadores e da Justiça está marcada para as 16 horas desta quarta-feira, no Fórum de Mondaí. A orientação da Fetraf-Sul é que os agricultores ingressem com ações na Justiça para buscarem seus direitos.

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