CPT - Centro de Produções Técnicas

A sinalização do governo venezuelano de que pretende expandir a importação de produtos do agronegócio brasileiro, principalmente de carnes e lácteos, poderá beneficiar Minas Gerais, Estado que concentra a maior bacia leiteira do Brasil e que tem capacidade e qualidade para atender à demanda internacional. De acordo com a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), as negociações com o país vizinho são crescentes e, somente em 2014, foi registrado incremento de 185% no faturamento gerado com os embarques de produtos mineiros para a Venezuela. A possibilidade de ampliar as negociações foi anunciada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) na última sexta-feira, após representantes do Mapa e dos ministérios da Agricultura e Terras, da Saúde e da Alimentação da Venezuela se reunirem para tratar de temas agropecuários de interesse bilateral. Ao fim da reunião, ficou concluído que a governo venezuelano enviará missão ao Brasil em abril, para verificação dos controles oficiais dos produtos exportados e, como conseqüência, a possibilidade de incluir novos estabelecimentos exportadores na lista atual, que hoje conta com cerca de 200 empresas. Ficou decidido ainda que, enquanto a missão não acontece, a lista atual desses estabelecimentos será prorrogada até maio deste ano. Outro ponto discutido foram as exportações de produtos lácteos do Brasil para aquele país. Haverá ainda a criação de canal oficial de comunicação para facilitar a troca de informações e solução de pendências comerciais e a continuidade na discussão sobre procedimentos de certificação para a exportação de gado em pé ao país vizinho. <b>Curto prazo</b> Para o superintendente de Política e Economia da Seapa, João Ricardo Albanez, a expectativa é ampliar, ainda mais, o volume de lácteos e de carnes bovina e de frango para a Venezuela, ao longo de 2015. "O Estado tem plenas condições de atender a demanda, principalmente, no setor lácteo. Minas Gerais, assim como os demais estados produtores, ainda enfrentam dificuldades para exportar, uma vez que os custos de produção no Brasil são elevados, o que compromete a competitividade frente aos principais países exportadores, como a Nova Zelândia, por exemplo", explicou. Ainda segundo Albanez, em 2014, o faturamento gerado com os embarques de Minas Gerais para a Venezuela somou US$ 216 milhões, incremento de 185% frente aos US$ 76 milhões registrados em 2013. No período, os produtos lácteos responderam por 56,8% do faturamento total, seguido por animais vivos (bovinos e bubalinos) com participação de 15,1% e setor sucroalcooleiro com 13,2%. No segmento de carnes (frango e bovina) a participação foi de apenas 4,5%, com faturamento US$ 14 milhões. Desse valor, 89,4% foi gerado com as negociações de carne bovina. A participação mineira nos embarques brasileiros do setor de carnes para a Venezuela foi de apenas 1,1% em 2014. As exportações de lácteos geraram receita de US$ 122,9 milhões, deste valor, 96,8% foram provenientes das negociações de leite em pó e leite UHT e o restante, 3,2%, com os embarques de creme de leite e leite condensado para a Venezuela. "Somente em 2014 registramos um incremento de 1.800% nos embarques de lácteos para o país vizinho. Minas Gerais é o principal exportador deste segmento para a Venezuela, respondendo por 65% das exportações brasileiras. Por ser a principal bacia leiteira, os parques industriais instalados no Estado estão em condições de suprir a demanda e temos condição de crescer a comercialização. Acreditamos que os negócios devem ser ampliados em 2015. A Venezuela está enfrentando problemas econômicos devidos aos preços do petróleo e tem o Brasil como uma das alternativas para importar alimentos", explicou Albanez. Os embarques totais do Brasil para a Venezuela somaram, em 2014, US$ 3,1 bilhões. Do total, Minas Gerais contribuiu com 7,1%.

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