CPT - Centro de Produções Técnicas

Três grandes empreendimentos devem mexer com a produção leiteira no Rio Grande do Sul. As unidades da Nestlé, anunciada nesta semana, Embaré e CCGL terão capacidade para processar 3 milhões de litros de leite por dia. A partir de 2009, podem chegar a 4,8 milhões. É quase o dobro do que os gaúchos entregaram à indústria no ano passado – 5,158 milhões de litros. Mais 382 mil litros vêm de outros Estados. Diante de quantidades tão polpudas, especialistas discordam quanto à capacidade de os produtores locais atenderem à nova demanda. O presidente do Conselho Brasileiro da Qualidade do Leite, João Dürr, avalia que o aumento de produção necessário é possível mesmo sem alteração do rebanho – só com melhor alimentação e manejo. Hoje, as 640 mil vacas ligadas ao sistema das empresas produzem a média de oito litros por dia. Poderiam chegar a 15 litros, calcula Ernesto Krug, presidente da Associação Gaúcha de Laticinistas. – Mas isso é um trabalho para cinco anos e dependeria de programas de estímulo. Hoje, nossas indústrias trabalham com ociosidade de 50% por absoluta falta de leite – diz Krug. Para o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios, Marcelo Roesler, as novas empresas irão apenas retirar fornecedores de indústrias já instaladas, para obter matéria-prima. Porém, os próprios investidores já prevêem que vão precisar elevar os preços ao produtor, caso queiram conquistar parceiros. – O Estado tem muito boas condições naturais para ter boa produção de leite. Se não tem, é por deficiências, como falta de pagamento correto da matéria-prima – afirma Haroldo Antunes, diretor-superintendente da Embaré. A empresa mineira pretende trabalhar com 2 mil fornecedores, privilegiando os com maior escala. A Nestlé planeja comprar de 12 mil produtores. Na disputa por matéria-prima, a que está em situação mais confortável é a CCGL, que tem cerca de 25 mil associados. A cooperativa já projeta expandir a produção. – Se 10 mil produtores aumentarem em 100 litros cada, temos 1 milhão de litros a mais – diz Caio Vianna, presidente da CCGL. Em meio à batalha, quem festeja são os pecuaristas. Com produção diária de 400 litros retirados de 13 vacas, o agricultor Leonel Hammel, de Não-Me-Toque, está empolgado com a instalação de novas empresas. Acredita que em um ano poderá dobrar a produção. – Espero que o preço melhore – afirma Hammel, ao lado de sua esposa Nara Rosiléia. Hoje, o casal vende o litro de leite a R$ 0,46. Mas sonha em receber de novo R$ 0,60, como chegou a ocorrer ao longo de 2005. Raio X do leite no estado As principais unidades processadores de leite no estado hoje: Parmalat: em Carazinho Elegê: em Teutônia (maior lanta do Estado, com capacidade de processar 3 milhões de litros por dia) Novos investimentos: Nestlé – Palmeira das Missões Inauguração: agosto de 2007 Investimento: R$ 70 milhões Litros de leite por dia: 1 milhão Embaré – Sarandi Inauguração: final de 2008 Investimento: R$ 237 milhões Litros de leite por dia: 1 milhão, podendo passar a 2 milhões CCGL – Cruz Alta Inauguração: setembro de 2007 Investimento: R$ 100 milhões Litros de leite por dia: 1 milhão, podendo passar a 1,8 milhão Concentração: As regiões de Palmeira das Missões, Sarandi, Cruz Alta, Carazinho, Vacaria, Lajeado, Roque GOnzalez, Teutônia e Estrela respondem por 80% do leite industrializado com inspeção federal no RS, ou aproximadamente 4,4 milhões de litros por dia (média de 2005) Volume: As indústrias gaúchas processaram a média de 5,54 milhões de litros por dia no ano passado. Caso os novas unidades trabalhem no nível máximo, acrescerá 4,8 milhões de litros. Pulverização: A participação das empresas no mercado gaúcho em 2005: Elegê – 34% Parmalat – 13% Bom Gosto – 9% Outras – 44% Fonte: Zero Hora/RS, adaptado pela Equipe Milknet)

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