CPT - Centro de Produções Técnicas

O Sistema FAEMG comemorou na última quinta-feira (14/4), o Dia Internacional da Valorização do Queijo Produzido com Leite Cru. Em evento em sua sede, em BH, a entidade promoveu grande degustação de queijos das sete microrregiões produtoras – Araxá, Campos das Vertentes, Canastra, Cerrado, Serra do Salitre, Serro e Triângulo Mineiro -, com informações sobre características e história de cada um deles. O evento reuniu os principais queijeiros do estado, compradores e especialistas sobre o assunto. A data comemorativa foi também oportunidade para o lançamento da Comissão Técnica do Queijo Minas Artesanal da FAEMG, com representantes de todas as regiões. O objetivo é reunir o setor produtivo para debater os principais desafios e soluções. Entre os principais entraves a serem vencidos estão a carência de assistência técnica, apoio laboratorial e a necessidade de revisão da legislação, que dificulta sua competitividade e a comercialização em outros estados. O presidente do Sistema FAEMG, Roberto Simões, destacou a importância da Comissão como espaço de debate, articulação e fortalecimento do setor: “É nossa primeira comissão técnica de um produto do agronegócio mais acabado, de valor agregado. Esperamos contribuir na melhor organização da cadeia produtiva, avançando ideias e fortalecendo o encaminhamento de soluções, para fortalecer os produtores e valorizar um produto que já têm história e tradição mundo afora”. Para o produtor de Queijo Canastra e membro da comissão, João Carlos Leite, do município de São Roque, a falta de articulação é o ‘calcanhar de Aquiles’ do setor: “Os problemas que hoje enfrentamos, podemos entender como culpa nossa. Todos aqui presentes estamos na atividade há décadas, e é a primeira vez que nos reunimos para buscarmos soluções”. Divulgação – O evento de promoção e degustação contou com apresentação feita pelo coordenador estadual do Programa Queijo Minas Artesanal da Emater-MG, Élmer de Almeida, que explicou algumas das principais diferenças entre as apresentações e sabores de cada região, e os fatores naturais e de produção que resultam nessas especificidades. O secretário Estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, João Cruz, também destacou as identidades regionais como fator a ser trabalhado pelo setor em um esforço de marketing coletivo: “Precisamos trabalhar a valorização das regiões, as indicações geográficas, rotulagem e selos de origem, para consolidar o espaço de nossos queijos e alcançar consumidores em todo o mundo”. <b>QUEIJO MINAS ARTESANAL</b> Sabor, tradição e cultura explicam o sucesso do Queijo Minas Artesanal. Os processos de preparo de cada região mineira permanecem praticamente os mesmos desde o século XVIII, graças ao conhecimento familiar transmitido entre as gerações, o que garante suas características peculiares. A arte popular de fabricação do queijo em Minas Gerais é tão importante que foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O queijo minas artesanal tem classificação do tipo ‘massa prensada não cozida e casca natural’. Alguns fatores são decisivos para sua unicidade, como o terroir (espaço físico em que se desenvolve um conhecimento coletivo ligado à terra), clima ameno, altitude elevada, pastos nativos, águas serranas e o uso de leite integral de vaca, fresco e cru. Muitos especialistas, porém, admitem que o segredo da iguaria tenha origem na secular mistura do ‘pingo’, fermento lático caseiro retirado da produção queijeira do dia anterior. Os queijos das áreas produtoras têm características próprias, que lhes asseguram identidade regional, em razão da altitude, temperatura, tipo de solo, pastagens e umidade do ar. Esses aspectos favorecem o desenvolvimento de determinados micro-organismos no processo biológico de produção e maturação, o que, valorizado pelo fazer de cada região, dão ao queijo minas artesanal a identidade própria do local de fabricação. Além de valorizar a identidade sociocultural do estado, a atividade é a principal fonte de renda de 30 mil pequenos produtores, em 600 municípios mineiros.

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