O ano de 2005 está chegando ao fim. É hora de fechar o balanço das conquistas e das perdas dos últimos doze meses e fazer planos para o ano que vem. No balanço da Associação Brasileira das Indústrias de Queijo (Abiq), os números revelam que o setor cresceu em 2005.

Mas como todo bom representante setorial, pondera que poderia ter sido melhor. Dados da entidade revelam que o segmento de queijos deve encerrar o ano com um incremento de 4,5% em relação a 2004, ano em que foram produzidas 510 mil toneladas do produto e o faturamento do setor chegou a R$ 3,5 bilhões. De acordo com Fábio Scarelli, presidente da entidade, o desempenho favorável deve ser alcançado, principalmente, por conta do aumento da demanda da utilização dos queijos como ingredientes nas indústrias alimentícias e pelo segmento de fast-food, um dos canais do mercado de alimentação fora do lar.

Por outro lado, fatores econômicos como o baixo crescimento da renda dos trabalhadores e a alta taxa de juros praticada no mercado, impediram um desempenho mais expressivo. “Além desses fatores, o segmento de queijos conviveu, ainda, com o alto custo do leite no mercado interno, e teve que se adaptar às novas normas de produção, como a granelização e a normativa 51 que exigiram esforços extras do setor”, explica Scarelli.
A indústria nacional produz itens de qualidade e é exportadora potencial, no entanto, este ano, o setor participou pouco dos mercados internacionais em função da taxa de câmbio que deixou os produtos nacionais pouco competitivos.

O setor de food service (alimentação fora do lar) é um dos que mais têm aumentado a demanda pelo produto, já que utiliza o queijo para agregar mais sabor e nutrientes à comida. Para acompanhar esse crescimento, a indústria vem investindo em desenvolvimento de produtos e em novas tecnologias.

Entre as iniciativas da entidade para elevar o consumo de queijo em todo o País, está a publicação “Queijo todo dia é vida mais sadia”. O material contém as principais informações sobre os valores nutritivos do produto, benefícios à saúde, respostas às dúvidas sobre seu consumo e, ainda, uma tabela sobre os teores médios de gorduras totais e saturadas e de colesterol dos queijos e de outros alimentos. “Queremos reafirmar os valores nutricionais dos queijos, além de informar a variedade de sabores existentes”, conta.

Os preferidos do consumidor

Entre as variedades de queijo disponíveis no mercado, Scarelli conta que o consumo ainda está bastante concentrado nos queijos do tipo prato, mussarela, minas frescal, minas curado, requeijão, provolone e ralado. Essa preferência tem a ver, sobretudo, com hábitos de consumo introduzidos há muitas décadas e, em parte, reflete as ondas migratórias que trouxeram tipos de queijos que foram adaptados ao leite e ao gosto local.

O cheddar, por exemplo, introduzido pelas cadeias de fast-food, caiu no gosto do consumidor brasileiro. O queijo de coalho, até então comum apenas no Nordeste, já é facilmente encontrado nos supermercados da Região Sudeste. Além disso, a indústria também vem verificando o aumento da procura por queijos considerados finos, como o gorgonzola. “É uma compra de rotina e temos que manter a qualidade ao menor preço possível. Neste segmento de queijos as cobranças relativas às inovações e embalagens são maiores, sem falar que os consumidores estão mais exigentes quanto ao sabor”, diz ele. Uma tendência no mercado de consumo final são as porções menores, que visam atender famílias pequenas.

Embalagens adequadas

As embalagens para queijos devem conferir ao produto barreira contra a entrada de oxigênio e resistência à cadeia de frio e gordura, que eventualmente se desprende dos queijos no processo de distribuição. Por isso, a popularidade dos sacos termoencolhíveis, das embalagens plásticas, do vidro e da própria bandeja de isopor.

A maior dificuldade da indústria é desenvolver embalagens inovadoras, que tenham custo adequado aos perfis de produção da indústria brasileira de queijos. “Sempre atrás de uma embalagem inovadora há um custo de investimento nas máquinas de envase, por isso precisamos desenvolver mais parcerias”, salienta Scarelli.

Uma parceria que acaba de render frutos foi a formada pela agência de design Projeto Integrado e a Campo Verde Alimentos, empresa paulista que comercializa queijos para grandes redes de supermercados e cadeias de fast-food. A empresa lançou com a sua marca três novas linhas de produtos e introduziu no mercado de queijos resfriados a tecnologia de envase com atmosfera modificada, que aumenta o shelf life do produto de três para 20 dias, antes de abrir a embalagem. As novas linhas de queijos em atmosfera modificada são: Culinária, Tábua de Queijos e Lanches, totalizando 23 produtos.

Segundo o diretor geral da Campo Verde, Marcelo Scarano, a novidade cria um novo nicho de mercado, além de oferecer ao consumidor uma embalagem mais atraente, prática, com maior poder de percepção de valor no ponto-de-venda. “As nossas bandejas eram fabricadas em poliestireno expandido (isopor) e a idéia, nessa nova fase, era utilizar alguma coisa realmente diferenciada, conta o diretor-geral da Campo Verde, Marcelo Scarano.

Segundo ele, a agência de design se encarregou de procurar os parceiros adequados para viabilizar técnica e economicamente o projeto. “A nova bandeja supera, em todos os sentidos, a versão anterior, que não conferia valor ou diferenciação alguma à marca no ponto-de-venda”, destaca.
O isopor foi substituído pelo papel-cartão tríplex TP Polar, da Cia. Suzano Papel e Celulose, totalmente reciclável, que recebeu um revestimento no verso, que funciona como uma barreira à umidade e à gordura. O executivo conta que o papel é certificado pelo instituto Isega, da Alemanha, de acordo com as normas internacionais do Food and Drug Administration (FDA ), dos Estados Unidos e do Instituto Federal para a Proteção da Saúde dos Consumidores e Medicina Veterinária (BgVV), organização alemã, para o uso em embalagens de alimentos.

De acordo com o diretor da agência, Christian Klein, o bacana desse projeto foi a total integração da cadeia produtiva, da matéria-prima ao varejo. “Todos trabalharam juntos, incorporando ao projeto o seu expertise em prol de um benefício comum: a transformação de um produto commoditie em um produto de valor agregado e, consequentemente, a criação de produto inovador, digno de concorrência global, contendo as marcas Campo Verde, Projeto Integrado, Antilhas e Suzano. Isso tudo sem contar que, apesar de todo valor agregado, o custo da nova embalagem ficou muito próximo ao custo da anterior, atendendo à solicitação do próprio cliente”, enfatiza.
Influência européia

De acordo com o gerente geral da Laticínios Tirolez, Disney Criscione, o Brasil caminhou nestes últimos anos para a consolidação de inúmeros queijos especiais de origem européia. Essa situação foi propiciada pela absorção de conhecimento e por investimentos feitos por inúmeras marcas. Hoje, há pelo menos 10 marcas que produzem queijos especiais (Emental, Gruyere, Estepe, Gouda, Gorgonzola, Provolone, Parmesão, Edam e Reino). O obstáculo para o aumento do consumo continua sendo o baixo poder aquisitivo da população.

Cicone observa que, em 2004, o mercado “sifado” (regularmente inspecionado pelo Serviço de Inspeção Federal do Ministério da Agricultura) produziu 509.540 toneladas. “Espera-se para 2005 um crescimento de pelo menos 5%, em função do aumento da produção de leite in natura”, comenta o executivo. Se a previsão se confirmar, o total produzido este ano chegará a 535.000 toneladas.

“Os queijos competem com leite, leite em pó, creme de leite e outros alimentos (leite condensado, doce de leite, manteiga, etc.) que lhe tomam o leite dos produtores, inflacionando seus preços. O leite atingiu em meados de 2005 preços incrivelmente elevados (até R$ 0,70 o litro), fazendo com que as margens dos laticinistas operassem negativamente, até setembro”, diz Criscione.

Segundo ele, o mercado quer preços baixos e alta qualidade. “O consumidor hoje está mais infiel. Somente as marcas com a melhor imagem na mente do consumidor conseguem resistir, mas a custa de qualidade extraordinária dos produtos”, comenta.

O gerente de Marketing da Gvinah, David Kaplan, comemora: “O segmento de queijos processados deve crescer 6% este ano, impulsionado pelo aumento do consumo de pratos prontos e pelo consumo fora do lar”, declara Kaplan, acrescentando que a estimativa é de que a produção brasileira desse tipo de queijos seja de 10 mil toneladas ano.

Com atuação voltada para o mercado institucional e de food service (que representam cerca de 20% do seu faturamento), a Gvinah foi pioneira no desenvolvimento de queijo processado tipo cheddar, em formato barra (8x8cm, ideal para sanduíches); ricota processada; queijo processado tipo requeijão, especialmente feito para suportar altas temperaturas, rechear e empanar sem perder consistência, entre outros.

Para alcançar o crescimento projetado, a empresa distribuirá para os profissionais da área alimentícia, como empresários, engenheiros de alimentos, nutricionistas, o informativo “Queijos processados você precisa saber” para esclarecer sobre suas vantagens e características .

A Gvinah também lançou em outubro a campanha publicitária “Temos um X que é tudo” em pontos-de-venda, como lanchonetes, padarias e pizzarias, divulgando a marca Jammy de queijos. Para o próximo ano, a empresa está desenvolvendo produtos e molhos para a indústria de massas, com o foco na exportação. Para o mercado interno, a empresa prepara o lançamento de produtos de grande consumo, com lançamento previsto também em 2006. (Fonte: Fispal)

Publicada no Portal Milknet Dezembro/2005

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