CPT - Centro de Produções Técnicas

Está nos custos, e não no valor pago pela indústria, a principal preocupação dos produtores de leite do Rio Grande do Sul. Pressionados pela necessidade de desembolsar mais, principalmente pela ração, reflexo da valorização do milho e da soja, muitos pecuaristas têm optado por cortar alimentação ou até reduzir o rebanho. A medida tem levado à queda na oferta de leite, sustentação das cotações e à tendência de o consumidor não ter perspectiva, pelo menos no curto prazo, de ver os preços recuarem nas gôndolas dos supermercados, avisa o zootecnista Rafael Ribeiro, consultor de mercado da Scot Consultoria. — O preço médio do leite pago ao produtor no país foi de R$ 1,04 em abril, 14% acima do mesmo período do ano passado, enquanto os custos subiram 26,2% — observa Ribeiro, listando, além dos grãos, preços de energia elétrica, combustíveis e mão de obra como maiores influências para pressionar os gastos. O presidente da Associação de Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang, observa que, hoje, os preços pagos ao produtor no Estado variam entre R$ 0,98 e R$ 1,20 e, para alguns pecuaristas, as despesas superam as receitas. Com isso, há pouco apetite para investir na propriedade e na reposição do rebanho, nota o dirigente. — A remuneração não é o principal problema. Está razoável. Mas tem muito produtor sem margem — admite Tang, que vê, como consequência, uma baixa procura por novilhas prenhes no Estado. Após o excesso de leite no mercado em 2014 no país, o declínio da oferta iniciou ainda ano passado, também devido a problemas climáticos, como falta de chuva no Brasil Central e excesso de umidade no Sul. Em 2015, a produção teve redução de 2,8%, para 24 bilhões de litros, a primeira queda desde o início da série histórica de acompanhamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1997. O consumo per capita no país, que cresce desde 2005, baixou de 174 litros em 2014 para 173 litros ano passado e este ano pode fechar em até 166 litros, estima a Scot Consultoria. O presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat-RS), Alexandre Guerra, observa que, com o aprofundamento da crise, o consumidor tem mudado os hábitos de compra, buscando ofertas, produtos com menor custo e embalagens econômicas. — A classe C perdeu poder de compra e vem migrando para produtos de menor valor agregado. A indústria tem de fazer frente a isso, melhorando o custo-benefício, sem deixar de inovar em produtos para o bem-estar das pessoas — avalia Guerra. Para Marcos Tang, da Gadolando, uma das saídas para fortalecer o setor seria a indústria demonstrar mais interesse na exportação para o país transformar em realidade o potencial de ser uma potência global de lácteos. Ração impulsiona aumento das despesas Os custos também são a maior fonte de inquietação do produtor Ronaldo Borsoi, de Carlos Barbosa, na Serra. Ele não se queixa da remuneração, mas nota que as margens são pressionadas essencialmente pelo desembolso com a ração. Espera que seja apenas uma fase. — Tenho lucratividade, mas é muito baixa para o que investi aqui — pondera Borsoi, lembrando que a construção do tambo exigiu uma grande mobilização de capital. O produtor Tiago Baldasso, também do município, tem queixa semelhante: — O principal vilão dessa história é a ração, pela alta do milho e da soja — aponta Baldasso, que também cita preocupação com energia e combustíveis. Na propriedade de Baldasso, a ordem é não negligenciar a qualidade do alimento. Se poupar comida, alerta ele, as vacas perdem produção e depois fica difícil recuperar os níveis anteriores de rendimento. Para enfrentar os custos, resta aperfeiçoar a gestão, como pesquisar preços dos insumos e comprar na época em que estão mais em conta. Uma das alternativas mais baratas, em certas épocas do ano, é complementar a nutrição do rebanho com bagaço de frutas, como laranja e maçã.

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