CPT - Centro de Produções Técnicas

A suplementação mineral e a contratação de mão de obra foram os itens que mais subiram entre as despesas que compõem os custos de produção da pecuária leiteira em 2014, com incremento de 8,15% e 7,91%, respectivamente, nos primeiros oito meses do ano. O aumento é resultado de fatores como a seca prolongada, a alta do câmbio e o reajuste do salário mínimo. Os dados foram divulgados no boletim Ativos da Pecuária de Leite, elaborado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP). Segundo o estudo, estes dois grupos foram os que mais contribuíram para a alta de 2,28% do Custo Operacional Efetivo (COE), que engloba os gastos do dia a dia nas propriedades. O estudo mostra que, além da seca prolongada, que puxou o aumento da demanda pelos sais minerais, principalmente os proteinados, a taxa de câmbio também sustentou a alta de matérias-primas utilizadas na fabricação deste insumo, como o fosfato bicálcico, uma vez que grande parte desta substância é importada e suas cotações variam de acordo com o comportamento do dólar. Em relação à mão de obra, a alta no ano é justificada pelo aumento do salário mínimo, não apenas em âmbito nacional, mas também em estados onde o piso supera o valor definido na esfera federal. “Este grupo merece destaque, pois anualmente sofre este reajuste e o peso que possui nos custos da pecuária de leite é bastante significativo, influenciando diretamente na rentabilidade do produtor”, explica o boletim. A mão de obra responde por 15,62% do COE e fica atrás apenas dos concentrados, que representam 42% do COE, mas que tiveram variação de 1,63% em 2014. A suplementação mineral, apesar de registrar a maior alta nos custos de produção, tem peso de apenas 3,1% no COE. Desafios – De acordo com análise da CNA e do Cepea, um dos principais desafios do setor leiteiro é o aumento de produtividade, o que poderia contribuir para a redução dos custos com a mão de obra. “No Brasil, na maioria dos casos, a pecuária leiteira ainda é praticada com baixa tecnificação. Com aumento dos investimentos conscientes, as despesas com mão de obra acabam sendo diluídas em função do aumento da produtividade”, ressalta o estudo. Em 76,5% das propriedades que praticam a ordenha manual, o boletim aponta que, em 56,7% delas, a produtividade de mão de obra é inferior a 200 litros diários de leite, o mínimo recomendado. Na ordenha mecânica, o padrão adequado de produtividade é 400 litros de leite/dia por trabalhador. No entanto, 69,2% das fazendas que adotam esta técnica estão abaixo desse valor.

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