CPT - Centro de Produções Técnicas

Os casos de listéria na indústria de sorvetes nos EUA, que fez com que ao menos cinco companhias tivessem que recolher produtos, foram em parte impulsionados por testes de DNA e outras novas ferramentas que podem detectar a bactéria e traçar suas origens. Avanços em sequenciamento de genomas, também conhecido como impressão digital biológica, permitiu que profissionais de saúde traçassem históricos de doenças a partir de 2010, relacionadas à listeria em sorvetes da Blue Bell Creameries Inc. Ao menos 10 pessoas ficaram doentes pelos produtos contaminados, havendo três mortes após o consumo do sorvete servido por um hospital em Kansas nesse ano. Preocupações com a listeria remetem à última quinta feira, quando a Jeni’s Splendid Ice Creams realizou o recall de uma linha inteira de seus produtos, dizendo que um teste em Nebrasaka detectou listeria. Três outras companhias – Full Tilt, Snoqualmie Gourmet Ice Cream e Pink’s – também recolheram produtos nos últimos quatro meses após detectar a bactéria. Agora o resto da indústria está revendo procedimentos para garantir que não ocorra novamente a contaminação. “Toda a indústria de sorvetes está atenta a isso”, disse Rob Tauxe, especialista em intoxicação alimentar no Centro para Controle e Prevenção de Doença. “O que eu espero é que companhias estejam atentas a seus produtos para identificar quaisquer problemas o mais depressa possível”. O sorvete agora está ligado à bactéria na cabeça do consumidor, mas esse nem sempre foi o caso. Antes de a tecnologia de testes ser melhorada, o produto não era visto como especialmente sensível a esse tipo de contaminação. Casos de intoxicação alimentar eram geralmente ligados a produtos específicos, porque não podiam ser rastreados com precisão. <b>Mortes em hospitais</b> A situação mudou após investigadores começarem a revisar as três mortes que ocorreram no hospital em Kansas, Via Christi Health. Eles usaram sequenciamento de genomas – uma ferramenta que só tornou­se disponível recentemente – para ligar a Blue Bell a essas vítimas, bem como outras sete pessoas que também adoeceram nos últimos cinco anos. “O benefício é: nós encontramos mais grupos de casos possivelmente relacionados, e podemos resolver mais deles e liga­los com alimentos específicos”, disse Tauxe. “E estamos descobrindo coisas que não estavam visíveis antes, como sorvete”. Sequenciar DNA costumava levar meses, ou mesmo anos, e era “fabulosamente caro”, ele disse. Agora investigadores podem decodificar uma cadeia de DNA em algumas horas por apenas US$100. “Essas tecnologias estão permitindo que liguemos os pontos que antes eram completamente opacos”, disse David Acheson, ex­oficial da Administração de Alimentos e Remédios que agora possui um negócio de consultoria alimentar. “Esse foi o gatilho no caso Blue Bell”. <b>Gosta do frio</b> A Listeria afeta principalmente pessoas mais velhas, mulheres grávidas, recém­nascidos ou adultos com sistemas imunológicos enfraquecidos. Os sintomas incluem febre e dores musculares, eventualmente precedidos de diarreia ou outros sintomas gastrointestinais. A infecção pode levar a aborto ou nascimento prematuro em grávidas, de acordo com o CDC. A E.coli, outra bactéria que causa infecção alimentar, pode ser evitada lavando as mãos e usando utensílios de limpeza com água quente e sabão. Mas a listeria funciona de maneira diferente. Diferentemente da maioria das bactérias, ela cresce em temperaturas frias e só pode ser combatida coam cozimento ou pasteurização. Alguns dos alimentos mais arriscados incluem sobremesas, leite cru e outros laticínios, e queijo suave. A Blue Bell disse que a listeria infectou seus produtos após o término da fase de pasteurização. <b>Testes de contato</b> A Blue Bell está em terceiro lugar em vendas de sorvete nos EUA, de acordo com a Euromonitor International. A companhia recolheu todos os seus produtos na semana passada, em um movimento que afetou 8 milhões de galões de sorvete e outros produtos. A decisão foi tomada após a listeria ser encontrada em múltiplas partes das operações. A companhia agora sanitariza equipamentos e disse que vai expandir o número de vezes que faz testes em suas plantas em 800%. A companhia está tentando descobrir como a listeria foi parar em seus produtos. Como parte da investigação, a companhia tem produzido lotes pequenos de sorvetes em três de suas quatro fábricas para testes por oficiais de saúde, de acordo com Joe Robertson, porta­voz da companhia. A Blue Bell não tem previsão de quando voltará a vender sorvetes. Caminho difícil O recall colocou a companhia em uma situação complicada. Diferentemente de suas maiores competidoras, como a Nestlé e a Unilever, a companhia produz apenas sorvete. Então não há outro produto para apoiar­se. Mas a companhia não está pensando em sua situação financeira, disse Robertson. “Não é aí que estão nossas mentes agora”, ele disse. “Precisamos ter certeza de que tudo está certo antes de começarmos a vender novamente”. A Jeni’s, companhia de Ohio, recolheu todos os seus produtos depois de o departamento de agricultura de Nebraska detectar a listeria em uma amostra aleatória. A Jeni’s disse que não foi informada de nenhuma doença ligada aos produtos. No caso da Snoqialmie Gourmet Ice Cream, seus produtos foram ligados a dois casos. A boa notícia é que as lições sobre a listeria podem ser aplicadas a outras fontes de intoxicação alimentar, disse Tauxe. O CDC quer expandir o uso de sequenciamento de genomas completo à E. colli e à salmonela, ele disse. “Antecipamos que no ano que vem será possível dividir esses métodos com o departamento de saúde estatal e construir uma rede nacional de sequenciamento de DNA”.

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