CPT - Centro de Produções Técnicas

O Amazonas tem um rebanho estimado em 1,5 milhão de cabeças de gado com produção anual de 49 milhões de litros de leite, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em meio a um cenário propício ao desenvolvimento da produção leiteira, o Estado conta, atualmente, com o funcionamento de apenas uma cooperativa de laticínio localizada no município de Autazes (distante 110 quilômetros de Manaus). O maior desafio enfrentado pelo setor, segundo a OCB-AM (Organização das Cooperativas do Estado do Amazonas) está na viabilização de métodos que incentivem a cadeia produtiva e também de investimentos voltados à comercialização dos produtos. O presidente da OCB-AM, Petrúcio Magalhães, explica que a produção leiteira no Amazonas necessita de reforços por meio da inserção de novos programas ou técnicas que contribuam para uma produtividade crescente. Além da carência nos investimentos, ele relatou que a pecuária leiteira tem sido fortemente prejudicada nos últimos meses pela cheia dos rios. Magalhães frisa que boa parte do pasto que abriga as vacas leiteiras está localizado em áreas de várzea, o que segundo o presidente, prejudica a produtividade porque o gado precisa ser remanejado para outra área, onde haverá mudanças até mesmo no sistema de pastagem. Ele afirma que o pasto da área de várzea é mais proteico e resulta em maior produção leiteira. “Os produtores vivem um momento delicado devido à enchente. A maior parte dos pastos está em terra firme mas temos uma boa parte da pecuária leiteira em área de várzea e isso atinge a produção leiteira. A partir daí falta matéria-prima e a indústria reduz a produtividade”, disse. De acordo com Magalhães, no Estado existem três cooperativas, mas apenas uma está em funcionamento, que é a Cooplam (Cooperativa dos Produtores de Leite da Região de Autazes), localizada na comunidade Vila do Novo Céu, em Autazes. No início das atividades, há pouco mais de 1 ano, a cooperativa projetava beneficiar diariamente cinco mil litros de leite a partir da fabricação de todos os produtos derivados do leite. Ele também disse que todos os produtos da Cooplam são absorvidos pelo mercado daquele município e de Manaus. “Os produtos atendem ao mercado local e também aos programas de regionalização da merenda escolar operados pelo Governo do Estado”, disse. As cooperativas que não estão em funcionamento são: a Coopleite, que também fica em Autazes; e a Coopvárzea, localizada no município do Careiro da Várzea. Para o presidente, uma alternativa contribuinte ao desenvolvimento da produção leiteira é o chamado Balde Cheio, assinado pela Embrapa. Ele explica que o projeto propõe a recuperação de áreas degradadas para serem utilizadas como pastagens, tudo por meios mecanizados. Ao final do processo de recuperação obtêm-se áreas com pastagens ricas. “O programa desenvolve pastos de melhor qualidade, o que é transformado em leite. Também há a redução do impacto ambiental porque não há necessidade de desmatamento. Ele traz uma nova cultura à pecuária leiteira que exige a mecanização no processo”, explica. “Vacas que antes produziam dois litros de leite, agora geram dez litros diariamente. Agora, vivemos uma mudança na ordenha, que antes era feita manualmente e agora é mecanizada, mais higiênica e segura para o consumo humano”, completa. De acordo com o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea), Muni Lourenço o mercado consumidor de laticínios em Manaus é forte e está em expansão, fator que estimula aos pecuaristas e empresários investirem no setor. Lourenço considera que para que haja desenvolvimento da produção leiteira é necessário haver medidas e investimentos governamentais. “Para melhorar a produção leiteira é fundamental a implementação das políticas públicas que viabilizem o melhoramento genético do rebanho, a adoção de novas tecnologias e a recuperação de pastagens degradadas”, avaliou. Lourenço afirmou que atualmente o Amazonas registra um rebanho de aproximadamente 1,5 milhão de cabeças de gado e adiantou que em pouco tempo todo o território amazonense terá a classificação de livre de aftosa por meio da vacinação. “O que irá proporcionar valorização dos subprodutos de nossa pecuária, tais como, a carne e os laticínios e permitir acessar a outros mercados”, salientou. <b>Vacas ordenhadas</b> Segundo dados do IBGE, em 2013 (os dados mais atuais do instituto), o Amazonas registrou um rebanho que totalizava 113.518 vacas ordenhadas. No mesmo ano, o efetivo de rebanho relacionado aos bovinos chegou a 1,4 milhão de cabeças, e ainda 85.532 bubalinos. Em 2010 a produção de leite no Estado foi de 47.203 milhões de litros; em 2011 esse número chegou a 53.033 milhões de litros; após um ano somava-se 48.165milhões. Em 2013 o IBGE registrou 48.969 milhões de litros de leite. Os três municípios que mais produziram leite em 2013 segundo a Pesquisa Pecuária Municipal do IBGE são: Itacoatiara com 11.200 milhões litros; Careiro da Várzea com 10.672.200 litros e Parintins com 9.386.300 litros. Conforme a Agência de Defesa Agropecuária e Florestal (Adaf), no Estado, existem 746 propriedades que recebem rebanhos bovinos e bubalinos; e ainda 734 propriedades que trabalham somente com rebanhos bubalinos. Localizada no município de Iranduba (distante 22 quilômetros da capital), a Fazenda Geny, oferta uma marca de laticínios de nome homônimo aos derivados. Queijos coalho e mussarela, iogurte, manteiga e doce de leite serão os produtos que compõem a lista de opcionais da fabricante. O laticínio, certificado pela ADAF (Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Estado do Amazonas) e rotulagem, comercializa os itens em Iranduba e em dois pontos em Manaus, que são lojas de conveniências localizadas nos seguintes endereços: rua Joaquim Sarmento, Centro; e na rua João Valério. A fazenda também apresenta o SIE (Serviço de Inspeção Estadual). A fazenda conta com mais de 700 cabeças de gado, e mais de 30 delas são da espécie Gir Leiteira e as demais são da raça Girolando (cruzamento entre os gados Holandês e Gir). As matrizes leiteiras têm excelente genética e são inseminadas com sêmen sexado de fêmea que são fundamentais para o melhoramento genético do rebanho. A produção diária obtida no laticínio é de 1,3 mil litros de leite que atendem à produção de iogurte, manteiga, doce de leite e 80 quilos de queijo, divididos entre coalho e mussarela. A fazenda emprega diretamente cerca de 32 moradores da Comunidade São Sebastião, área em que o empreendimento fica localizado.

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