CPT - Centro de Produções Técnicas

Desenvolver um sistema de tratamento biológico de efluentes que atenda as necessidades normativas ambientais, técnicas e econômicas da indústria laticinista tornou-se um grande desafio para milhares de pequenas empresas que atuam no beneficiamento do leite. Sem a instauração de plantas ou projetos de estações, muitas vezes, a prática de recuperação de sólidos do leite e reutilização da água de lavagem, podem se transformar em caso de saúde pública por colocar em risco os mananciais e a comunidade da região. Prestes a colocar em prática um projeto inclusivo de uma indústria de beneficiamento do leite, com produção de leite UHT, leite em pó e secagem do soro do leite, a Cooperativa de Produção Leiteira de Alagoas (CPLA) tem estudado medidas adequadas para implantação do sistema de tratamento das efluentes na região de Batalha/AL, onde está localizada a unidade. O trato de resíduos previsto pela instituição aponta a redução de carga de lançamento de orgânicos baseado na relação custo-benefício da manutenção e espaço físico disponível para estação de tratamento. Segundo o presidente da CPLA, Aldemar Monteiro, a cooperativa analisa a possibilidade de implantação de dois métodos populares comuns em grandes centros: “Temos conhecimento de modelos com grande percentual de funcionalidade e adaptação à nossa realidade a partir dos modelos anaeróbios e aeróbios”. Os modelos citados pelo dirigente da CPLA prezam pelo descarte da água residual, resultante dos processos de industrialização de leites e queijos, totalmente segura para natureza e com intensidade diminuída de substância orgânica, gerando ganhos ambientais. “A proposta é reduzir a quantidade de efluentes em até 50%, visto que tais processos possuem boa aceitação na indústria de laticínios”, avaliou Aldemar. <b>Experiência</b> Os modelos de estações de tratamento de efluentes aeróbio e anaeróbio foram vistoriados por um grupo de dirigente da CPLA, na última semana, no estado de Minas Gerais. Em busca de conhecimento prático para a fábrica alagoana, o grupo percorreu o laticínio escola da conceituada Universidade Federal de Viçosa (UFV) e o Laticínio Porto Alegre, no município de Coronel Pacheco, responsável pela captação de 800 mil litros/dia. O primeiro opera o sistema anaeróbio e o segundo adotou a planta do aeróbio com maturação de grandes lagoas. Ambos, segundo o diretor financeiro da CPLA, Fernando Medeiros, possuem boas taxas de remoção da matéria orgânica e absorção de substâncias mais difíceis de ser degradado, como o soro do leite. “Encontramos em Minas, no laticínio Porto Alegre, grandes semelhanças com o projeto de tratamento de efluentes e águas residuais da fábrica da CPLA. Isso comprova que temos um projeto muito coerente com a realidade da indústria. É uma indústria multifabril, que tem crescido 20% ao ano”. Sobre as características de cada modelo, Fernando explica algumas características: “o fator disponibilidade de espaço e investimento financeiro são agentes decisivos. O anaeróbio é mais compacto, com tratamento isolado, porém requer grande investimento em manutenção, muita energia e corre o risco e de emissão de odores. O aeróbio precisa de espaço para implantação de lagoas de maturação, porém exige mais tecnologias para recuperação de resíduos sólidos do leite e reuso da água ”, acrescentou Fernando. Segundo dados fornecidos pelos laticínios mineiros, há uma diferença no custo do litro de águas residuais, de lavagem e efluentes em seu tratamento. No método aeróbio, o metro cúbico custa R$ 3,00 e o anaeróbico, mais em conta, à R$ 0,30 centavos. <b>Legislação</b> Com um tratamento de efluentes sustentável, de fácil operação, baixo custo e com eficácia de remoção da carga orgânica, a CPLA segue alinhando o projeto da Unidade de Beneficiamento do Leite para atender as normas da resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) de número 377, instaurada no ano de 2006, que dispõe sobre requerimento de licenciamento ambiental simplificado de sistemas de esgotamento sanitário.

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