CPT - Centro de Produções Técnicas

Depois de acumular um crescimento expressivo de 31,8% entre 2005 e 2013, a demanda por produtos lácteos está desaquecendo no Brasil, segundo levantamento feito pelo banco holandês Rabobank. O estudo estima que o consumo per capita de lácteos ficará praticamente estagnado em 174 litros por habitante ao ano em 2015, queda de apenas 0,2%, mas em função da crise econômica do País, a tendência para 2016 é cair 2,29% somando 170 litros. A recuperação deve começar a partir de 2017, com um consumo estimado em 171 litros per capita ao ano. A concretização da retomada em 2017 dependerá da recuperação da econômica. No período de consumo menor, as indústrias deverão priorizar a gestão para reduzir os custos e se tornarem mais competitivas. De acordo com o analista sênior do Rabobank Brasil, Andrés Padilla, que atua no desenvolvimento de estudos e pesquisas nos setores de bebidas e laticínios, a desaceleração da demanda se deve ao atual cenário econômico, onde o aumento do desemprego e da inflação reduziu o poder de compra das famílias. “Em países de renda média como o Brasil, a correlação entre renda real e consumo de lácteos é forte. A atual crise econômica vivenciada no País reduziu a renda das famílias e prejudicou o crescimento do consumo dos produtos lácteos. Com isso, a tendência é que as vendas dos produtos, a princípio, se retraiam e somente com a retomada da economia volte a crescer de forma gradual, o que deve ocorrer entre 2017 e 2020, quando o consumo poderá atingir 178 litros per capita ao ano”, avalia Padilla. Ritmo – Nos últimos cinco anos, o crescimento do consumo de lácteos perdeu a força. De acordo com o levantamento do Rabobank, entre 2005 e 2010, o consumo cresceu 20,45%, o que significa uma expansão média anual de 3,4%. Porém, entre 2010 e 2015, o ritmo ficou mais lento, com a demanda crescendo apenas 1,9%. Em 2015, o volume ficará 0,2% menor e para 2016 é esperada queda. O consumo per capita anual de leite pasteurizado recuou 7,5% entre 2010 e 2015 e é esperada retração de 7,8% nos próximos cinco anos. Ainda segundo Padilla, a queda na demanda também é notada em produtos de maior valor agregado, como queijos, bebidas lácteas e sobremesas, por exemplo. “Produtos como os queijos, que vinham crescendo muito nos últimos anos e possuem maior valor agregado também foram afetados. De 2005 a 2010 o consumo do produto cresceu 5,3%, mas nos últimos cinco anos o ritmo foi menor, mas ainda acima do setor lácteo, com alta de 4,7%. A tendência é que o consumo de queijos fique estável em 2015 e nos próximos cinco anos cresça em torno de 1% ao ano”. O consumo de leite longa vida cresceu 1,5% entre 2005 e 2010 e 3,1% entre 2010 e 2015. Para os próximos cinco anos, a alta também será menor, como variação positiva de 1,3%. Com o consumo menor, o impacto negativo também é sentido nas indústrias lácteas, que ao longo do ano tiveram os custos de produção alavancados. Os principais fatores que influenciaram a alta dos custos foram o encarecimento dos preços da energia elétrica, mão de obra, insumos importados, embalagens, entre outros. “A tendência é que 2016 seja um ano pior para a indústria. Será necessário focar muito na eficiência, para reduzir os custos e manter o lucro. O repasse do aumento dos custos para consumidor será difícil. A tendência é que os preços do leite no campo se mantenham estável, uma vez que o produtor também está com a capacidade de investimento comprometida e a expectativa é de queda na captação”. A recuperação do setor lácteo industrial também dependerá da economia nacional, porém, é necessário que sejam feitos investimentos em produtos inovadores. “Os produtos atuais estão muito padronizados e não se destacam nos supermercados. É preciso inovar em embalagens e nas opções diferenciadas de produtos. Isto atrai a atenção do consumidor e incentiva as vendas. Os iogurtes, por exemplo, têm muito espaço para crescer”, orienta Padilla.

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