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Produtos lácteos, como queijos e iogurtes, têm perdido espaço nos lares brasileiros. Depois de uma contração estimada de 1% no consumo per capita de lácteos em geral no Brasil em 2015, a demanda no país deve recuar mais 4% este ano, segundo estudo do banco holandês Rabobank sobre o segmento de lácteos no Mercosul. Em 2015, o consumo per capita brasileiro de lácteos foi de 173 litros (equivalente leite). Neste ano ­ mais uma vez reflexo da recessão que gerou desemprego, inflação e reduziu a renda real ­, a demanda deve cair para 166 litros per capita, o mesmo nível de 2011. O número, que envolve itens como leite longa vida, queijos e iogurtes, é mais pessimista do que os 171 litros que o Rabobank havia estimado no fim de 2015. A retração no consumo desses produtos após anos de crescimento expressivo no país afeta as margens da indústria de lácteos que enfrenta também menor oferta de matéria-­prima e alta dos custos do leite. Nesse cenário, há espaço para mais consolidação no segmento, com a participação de empresas estrangeiras ou nacionais, avalia Andrés Padilla, analista sênior do Rabobank Brasil. "É um momento importante para quem quer fazer investimentos olhando o longo prazo no Brasil", observa, acrescentando que a desvalorização do real também aumentou o "poder de compra" das empresas [eventualmente interessadas em ativos] em dólar. Entre os anos 2005 e 2014, os laticínios foram favorecidos pelo crescimento "impressionante" ­ como define o Rabobank ­ do consumo de lácteos no Brasil, principalmente devido ao crescimento da renda real. Segundo o banco, a demanda por queijos cresceu a uma média anual de 5,7% no período, enquanto a de leite longa vida e leite em pó avançou 2,5% e 3,1%, respectivamente. Padilla admite que será difícil recuperar esses níveis rapidamente, já que uma retomada depende da situação do emprego e da renda real dos consumidores. Isso porque, no Brasil, a correlação entre aumento da renda e crescimento do consumo de lácteos tem sido de mais de 90% nos últimos dez anos. A expectativa do banco é de que o consumo se recupere gradualmente a partir de 2017. Mas o nível de 2014, quando o consumo de lácteos teve seu pico em 174 litros, só deve voltar depois de 2020, segundo o Rabobank. A estimativa também é mais pessimista que a do fim de 2015, quando o banco previu consumo de 178 litros em 2020. "Acreditamos que em 2017 e 2018, a economia já deve ter alguma recuperação", diz. No curto prazo, porém, os consumidores seguem comprando menos e de forma mais seletiva. Segundo o estudo, as empresas relatam que consumidores têm reduzido o número de itens que compram de um produto específico. E têm procurado promoções. Nesse ambiente, as indústrias de lácteos buscam ajustar a produção à demanda. Reflexo disso é uma queda nas compras da matéria­prima (leite cru) nos últimos cinco trimestres, acrescenta o estudo. A menor produção de leite no país e a alta dos preços da matéria­prima também afetam as aquisições de leite pelos laticínios. "O preço do leite está mais alto e as indústrias têm tido dificuldade para reajustar os preços. A indústria vai sofrer mais", avalia. Para o analista, após a queda de 2,85% na produção brasileira de leite em 2015 ­ para 24,05 bilhões de litros ­, a produção deve recuar mais 3% este ano, o que significa preços mais altos. Ele observa que os pecuaristas continuam com margens apertadas por causa da elevação dos custos. Além disso, houve redução dos investimentos na produção nos últimos anos e um "número expressivo" de pequenos pecuaristas diminuiu o rebanho ou saiu da atividade. O maior custo de produção de leite também é um problema na Argentina, onde medidas do governo Maurício Macri estimularam as exportações de milho e soja e elevaram os preços dos grãos no mercado doméstico. A desvalorização do peso ante o dólar também afetou os gastos dos pecuaristas, observa o estudo do Rabobank. Diante disso, a expectativa também é de recuo na produção de leite na Argentina no curto a médio prazos. Para 2016, a estimativa é que caia 4%. Esse é mais um desafio para indústria de lácteos do país vizinho, que não tem registrado crescimento real no volume na maioria das categorias de lácteos, segundo o Rabobank. Como o cenário econômico na Argentina é igualmente delicado, com inflação alta, a expectativa do Rabobank é de que o consumo de lácteos fique estável no país este ano, em 220 litros per capita. Não são apenas seus respectivos mercados domésticos de lácteos que preocupam Brasil e Argentina. A crise na Venezuela, que recrudesceu com a queda dos preços internacionais do petróleo, prejudica as exportações de lácteos de Brasil e Argentina. O país caribenho se tornou um importante destino para as exportações de lácteos do Brasil, Argentina e Uruguai, mas em 2015, as compras venezuelanas do Mercosul recuaram para os níveis anteriores a 2012, segundo o Rabobank. A avaliação do banco é que novas reduções nas vendas ao país possam ocorrer este ano. Como resultado, Argentina e Uruguai devem provavelmente buscar vender mais leite para o Brasil. "O Brasil deve ter mais um ano de déficit na balança de lácteos", diz Padilla. Em 2015, o déficit do segmento foi de US$ 100 milhões.

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