CPT - Centro de Produções Técnicas

Embora a família que controla a companhia seja produtora do grão em São Sebastião do Paraíso, tradicional região de cultivo da Mogiana mineira, é a primeira vez que a Aviação investe em uma estratégia para comercializar café torrado e moído com a sua marca no mercado. O produto, 100% arábica e de qualidade "superior" – meio termo entre os cafés tradicionais e os "gourmet" -, será industrializado a partir de matéria-prima cultivada na fazenda dos controladores da empresa e de outros parceiros. E deverá ser encontrado nas gôndolas de supermercados já a partir do fim deste mês, afirma Geraldo Alvarenga Resende Filho, presidente da Aviação. Inicialmente, a comercialização do produto – apenas um tipo, em embalagem de meio quilo – no atacado e no varejo ficará mais concentrada no Estado de São Paulo, que já é o maior mercado para os produtos lácteos da Aviação, de acordo com Resende Filho. Depois, as vendas poderão ser ampliadas para outros Estados, já que a empresa mantém distribuidores em todo o país. Os investimentos para o projeto, que incluem pesquisas de mercado e de produto, somam R$ 700 mil. A ideia de lançar um café com a marca já conhecida em lácteos começou a amadurecer há cerca de cinco anos, lembra Resende Filho. "A Aviação é um nome respeitado, por que não levar a qualidade da empresa para o segmento de café?", pergunta Resende Filho. Segundo ele, a disponibilidade de matéria-prima de qualidade na região onde está inserida a empresa contribuiu para a decisão. O presidente da Aviação afirma que a torrefação do produto será terceirizada e estima que serão industrializadas entre 100 e 150 toneladas de café por mês, o que representará de 10% a 15% do volume total de lácteos comercializado pela empresa, que chega a 1.000 toneladas mensais. O mesmo cálculo (de 10% a 15%) é feito para atribuir o peso que o café torrado e moído terá de participação no faturamento total da companhia, que foi de R$ 150 milhões no ano passado. Nos últimos anos, a receita da Aviação vem crescendo de 15% a 20% ao ano. A expectativa é que, em 2014, esse ritmo seja mantido ou aumente, por causa do café. A Aviação foi fundada em 1920, em São Paulo, pelo avô de Resende Filho. A empresa nasceu como um comércio atacadista de gêneros alimentícios e permaneceu com esse foco até a década de 1970, quando deixou essa área e concentrou os negócios em produtos lácteos. Além da manteiga, que em 2013 representou 60% do faturamento, seu portfólio inclui requeijão cremoso, queijos e doce de leite. Resende é da quarta geração de uma família também com tradição no cultivo de café, até então comercializado apenas em grão verde destinado aos mercados interno e externo. Essa atividade continuará, diz ele, pois apenas uma parte da produção será destinada à torrefação. A fazenda da família em São Sebastião do Paraíso tem aproximadamente 400 hectares e produz de 15 mil a 20 mil sacas da commodity por safra. Resende Filho afirma que o café Aviação foi bem recebido quando apresentado na feira da Associação Paulista de Supermercados (APAS), na semana passada. Ele diz que a empresa vai, inicialmente, "testar" o mercado, mas está otimista. "Começamos a produzir requeijão há 20 anos, mais para a região de São Sebastião do Paraíso, e hoje não estamos conseguindo atender à demanda. Com o café não será diferente".

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