CPT - Centro de Produções Técnicas

O Brasil está importando muito mais lácteos do Uruguai neste ano ­ quase 80% mais­, e a razão não são apenas os preços internacionais mais baixos. O Uruguai vinha exportando volumes grandes de lácteos à Venezuela, mas as restrições de crédito no país caribenho tornaram as vendas mais seletivas. "No ano passado, o Uruguai vendeu muito para Venezuela, mas este ano só está vendendo com pagamento antecipado", diz Valter Galan, do MilkPoint. Com menos oportunidades no mercado venezuelano, os exportadores uruguaios se voltaram para o Brasil. De acordo com Ricardo Cotta, da Itambé, o país tem exportado uma média de 5 mil toneladas ao mês para o Brasil, mais do que o volume vendido pela Argentina, sujeita a uma cota de 3.600 tonelada. Conforme dados da Secex compilados pelo MilkPoint, de janeiro a maio deste ano o Uruguai exportou 22,799 mil toneladas de lácteos ao Brasil, 78,7% mais que no mesmo intervalo de 2014. A Argentina, que também vende sem imposto por estar no Mercosul, exportou 26,075 mil toneladas, alta de 25,9%. Se as previsões se confirmarem, as importações de lácteos tendem a continuar a crescer. Isso porque a expectativa é de que os preços internacionais voltem a se recuperar só entre o fim deste ano e o início de 2016, já que a produção segue elevada em países exportadores, como observou o Rabobank em recente relatório. Além disso, os estoques são altos em importadores como a China, que reduziu as compras do produto. Para Cotta, num cenário em que o preço do leite em pó integral volte aos níveis históricos de US$ 3.500 a tonelada e o dólar fique nos patamares atuais, o Brasil seria competitivo na exportação. Até maio, porém, o país perdeu espaço no mercado, com as exportações de lácteos caindo 41,26%, para 21.519 toneladas. A Itambé tem plantas de lácteos recém­-habilitadas para exportar à Rússia, mas falta a publicação da decisão por Moscou. Embora a habilitação seja positiva, a recessão russa preocupa, admite Cotta.

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