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A Justiça realiza até a próxima quinta-feira (13) mais um leilão da massa falida da Indústria de Alimentos Nilza. Dessa vez, são oferecidos por meio de pregão eletrônico a fábrica principal da empresa, em Ribeirão Preto (SP), outra unidade em Itamonte (MG), um terreno em Alfenas (MG) e um imóvel em Quartel Geral (MG). Juntos, os bens foram avaliados em cerca de R$ 185 milhões. Até agora, já foram arrematadas a marca e a unidade da indústria em Campo Belo (MG). As unidades em Ribeirão e Itamonte não tiveram lances suficientes nos três leilões presenciais realizados no ano passado. O juiz Héber Mendes Batista, da 4ª Vara Cível de Ribeirão, explicou que nessa nova oportunidade os interessados poderão arrematar todo o patrimônio, ou parte dele. &quot;O leilão foi divido em lotes. A pessoa pode ofertar em cima de equipamentos, ou de repente só em terreno, ou na fábrica como um total, o próprio combo, como também pode ofertar outras unidades que não sejam em Ribeirão”, afirmou Batista, destacando que os veículos não foram disponibilizados neste pregão. Segundo o magistrado, a decisão de dividir os bens tem como objetivo facilitar a venda, já que a administradora judicial depende dessa negociação para quitar a dívida da Leite Nilza, estimada em R$ 600 milhões, incluindo pagamentos a 3,3 mil fornecedores e direitos trabalhistas a 1.186 ex-funcionários. &quot;A realidade econômica do Brasil, infelizmente, não é dos melhores. Então, nós estamos tentando alienar esse patrimônio, para transformá-lo em dinheiro e conseguir pagar os credores&quot;, disse o juiz, destacando que os interessados em participar do leilão precisam comprovar um depósito em caução no valor de R$ 1 milhão. &quot;Se o lance for aceito, esse valor de caução é deduzido. Se não for aceita a proposta, esse valor é restituído ao interessado.&quot; <b>Pagamentos</b> Para o administrador judicial da Leite Nilza, Alexandre Borges Leite, a realização do leilão não garante que todos os credores receberão os valores devidos ainda este ano. Isso porque, a avaliação dos bens está abaixo do valor total da dívida. Além disso, caso não haja lances ou a Justiça não aceite as propostas, o pregão eletrônico pode ser estendido até 2 de setembro. &quot;A lei é rígida. Ela estabelece uma ordem de pagamento e eu não posso alterá-la. Então, uma vez vendido, o produto do leilão vai ser depositado em juízo, fica à disposição da 4ª Vara Cível [de Ribeirão]. Hoje, nós não temos recurso próprio para pagar muitos credores. Mas, a nossa ideia é realizar esses ativos e iniciar o pagamento o mais rápido possível&quot;, disse. <b>Bens vendidos</b> Avaliada em R$ 5,2 milhões, a marca Nilza foi arrematada por R$ 7 milhões pela Goiasminas Indústria de Laticínio, a Italac. A decisão foi proferida em 22 de janeiro desse ano. Cerca de 30% do valor foi pago de forma imediata e o restante em 24 parcelas. Em novembro do ano passado, a unidade da Leite Nilza em Campo Belo (MG) também já havia sido vendida por R$ 9 milhões para a empresa Nova Mix, que arrendou a fábrica há seis anos. Apesar de o valor ter sido menor que a avaliação de R$ 12,3 milhões, o juiz considerou a negociação satisfatória porque a intenção era manter a fábrica em atividade. <b>Falência</b> A Indústria de Alimentos Nilza surgiu em 2004 da organização de sete cooperativas. Dois anos depois, ela foi comprada por Adhemar de Barros Neto, que iniciou um plano de expansão. Em 2008, a indústria comprou as unidades de Itamonte e Campo Belo da Montelac Alimentos S.A, passando a processar 1,5 milhão de litros de leite por dia em suas três unidades, que contavam com mil profissionais. No mesmo ano das aquisições, no entanto, veio a crise no setor leiteiro brasileiro e a dificuldade de obtenção de créditos bancários com os problemas financeiros no setor imobiliário dos Estados Unidos. Em janeiro de 2011, o juiz da 4ª Vara Cível de Ribeirão decretou a falência da empresa após constatar uma série de fraudes no processo de recuperação judicial e na negociação de venda da companhia para a empresa Airex, que aparecia em seus registros com sede em Manaus (AM), o que também chegou a ser investigado. Cinco meses mais tarde, a decisão de falência foi revogada e 40 funcionários foram recontratados para trabalhar na Nilza. Foram feitos testes no laticínio, mas a produção comercial não chegou a acontecer. Em outubro de 2012, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decretou a segunda falência, que dura até hoje. Cerca de 3,3 mil fornecedores devem receber em torno de R$ 232 milhões e pelo menos 1.186 ex-funcionários não tiveram os direitos trabalhistas pagos – débito calculado em R$ 13,8 milhões. Além disso, há ainda R$ 141 milhões como garantia real e R$ 20 milhões em crédito extraconcursal.

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