CPT - Centro de Produções Técnicas

Depois de ter recuado em maio, os preços médios do leite pagos ao produtor nacional voltaram a subir em junho, reflexo, principalmente, das fortes chuvas na região Sul do país que afetam a produção leiteira local. Em junho, o preço médio pago ao produtor pelo leite entregue no mês de maio ficou em R$ 0,989 por litro, 1,5% acima do pagamento anterior, conforme levantamento da Scot Consultoria. O que elevou o preço médio nacional foi o aumento das cotações nos Estados do Sul do país, atualmente no período de safra de leite. "Houve alta na média Brasil, mas os comportamentos são distintos. Algumas regiões subiram, outras não", observou Rafael Ribeiro, analista da Scot Consultoria. Segundo ele, as chuvas no Sul têm afetado a produção leiteira. O excesso de precipitação tem alagado áreas de criação – o que compromete a produção leiteira – e atrapalhado a coleta do leite pelos laticínios nas propriedades, de acordo com Ribeiro. Além disso, as chuvas excessivas também prejudicam as pastagens de inverno utilizadas na região para a alimentação dos animais. Há outro problema: o barro resultante das fortes chuvas afeta os cascos dos animais, com reflexos na produtividade. Tudo isso combinado tem impacto negativo sobre a produção de leite, de acordo com o analista. Uma outra preocupação é em relação ao milho usado na ração dos animais. As lavouras de safrinha do Paraná também estão sendo afetadas pelas chuvas, o que poderia ter impacto sobre os preços do grão, observou Ribeiro. Apesar das chuvas no Sul, a captação de leite na média do país ainda está em elevação se comparada a igual período do ano passado, de acordo com Scot. O índice de captação da consultoria mostra um avanço de 12% na captação em maio passado em relação ao mesmo mês de 2013. No mês de junho, a captação avançou 10,8% sobre igual intervalo do ano passado. Segundo Ribeiro, o aumento na captação é resultado dos investimentos feitos pelos produtores após os preços favoráveis do leite em 2013. No entanto, disse ele, a demanda não tem acompanhado o avanço da oferta e os laticínios têm estoques elevados. Na opinião do analista, o cenário atual no mercado de leite é de incerteza, mas ele prevê estabilidade de preços no curto prazo. Entre os cerca de 130 laticínios pesquisados pela Scot, 16% acreditam em aumento no preço do leite no próximo pagamento ao produtor, em julho, 54% apostam em manutenção e 30% preveem queda. Na segunda-feira, o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP divulgou seu levantamento de preços para o leite em junho. Os dados indicaram que o preço médio recuou 0,73% na comparação com o mês anterior, para R$ 1,0128/litro na "média Brasil". Conforme o Cepea, a queda é "reflexo do desaquecimento do mercado de derivados em maio e da produção de leite praticamente estável em junho".

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