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Zurique – A Nestlé SA costuma buscar o primeiro ou o segundo lugar em todos os seus negócios, mas ela não está nem perto disso no mercado de guloseimas de chocolate nos EUA, onde é uma anã ao lado da Mars Inc. e da Hershey Co. Quando a Lindt Spruengli AG, em terceiro lugar, concluir a aquisição planejada da Russell Stover Candies Inc., a Nestlé vai cair ainda mais fundo na quarta colocação. Juntas, Mars e Hershey controlam 65 por cento das vendas de chocolate nos EUA, estima a empresa de pesquisa Euromonitor, contra 5,2 por cento para a Lindt e 4,8 por cento para a Nestlé. Os gastos combinados em anúncios de TV nos EUA da Mars e da Hershey praticamente equivalem à receita total de chocolate da Nestlé no país, disse a empresa suíça. Para angariar vendas no mercado de US$ 18 bilhões, a maior empresa de alimentos do mundo adicionou barras de Girl Scout Crunch de edição limitada e o chocolate Skinny Cow, com menos calorias. Isso não foi suficiente para apresentar um desafio real às empresas líderes, disse Urs Beck, gerente de fundos da EFG Asset Management em Zurique. A contrapartida mais óbvia, disse ele: comprar a Lindt. No mercado de chocolate dos EUA a Nestlé “precisa jogar duro e de modo mais inteligente, como se não tivesse nada a perder”, disse Beck. “Do contrário, uma opção válida pode ser abandonar esse mercado”. Embora a Nestlé seja muito maior do que as líderes do mercado americano, é improvável que ela compre alguma das duas. Mars é uma empresa privada e há muito diz que não está à venda; os acionistas da Nestlé barrariam a compra da Hershey porque ela não se adequaria ao direcionamento da companhia a produtos mais sofisticados e saudáveis, disse Beck. <b>Situação desesperante</b> O CEO da Lindt, Ernst Tanner, disse no dia 14 de julho que a empresa pretende continuar sendo independente. A Nestlé não quis comentar se já tinha pensando em comprar a Stover ou a Lindt, mas os executivos há muito dizem que a companhia quer estar em primeiro ou segundo lugar nas categorias e nos mercados em que opera. Há cerca de seis ou sete anos a Nestlé, com sede em Vevey, Suíça, analisou a possibilidade de sair do setor de produtos de confeitaria nos EUA, quando a categoria era “desesperante”, disse Paul Grimwood, CEO da Nestlé nos EUA, em reunião com investidores que ocorreu no mês passado, em Boston. Ao invés disso, a Nestlé enfoca marcas-chave e pode realizar aquisições ou joint ventures, disse. Após a compra da Stover, anunciada no dia 14 de julho, a Lindt terá 7,4 por cento do mercado de produtos de chocolate nos EUA, principalmente de alta gama. É nele que a Nestlé deveria se concentrar nos EUA, disse Gillian Hollenstein, diretora de investimento da Labha Investment Advisors SA em Zurique. <b>Chocolate saturado</b> “Crescer no mercado massivo de chocolate dos EUA pode ser um desafio para a Nestlé porque ele está muito saturado”, disse Hollenstein. “A Lindt enfocou o segmento premium e investe nele há anos. A Nestlé está muito atrás”. A Nestlé está em desvantagem porque a Hershey possui os direitos do KitKat, a maior marca de chocolate da empresa suíça, nos EUA. As principais marcas de chocolate da Nestlé nos EUA, Butterfinger e Crunch, estão no 12º e 26º lugar, respectivamente, entre as guloseimas de chocolate, de acordo com a Euromonitor. KitKat ocupa o 4º lugar, com 4,3 por cento do mercado. A Nestlé poderia passar para o segmento superior do mercado com sua marca Cailler, disse Jon Cox, analista da Kepler Cheuvreux em Zurique. A fabricante de chocolate, que existe há dois séculos e foi comprada pela Nestlé em 1929, é considerada a criadora do chocolate ao leite. Esse pedigree faz com que ela seja um veículo natural para um impulso no mercado de alta gama. <b>Frustração íntima</b> Desenvolver a Cailler será “um processo a longo prazo”, disse Paul Bulcke, CEO da Nestlé, aos investidores em Boston no mês passado. O chocolate premium é “minha pequena frustração íntima”, disse. Trung-Tin Nguyen, gerente de hedge-fund na Trimax Capital AG em Zurique, sugere que a Nestlé não deveria se preocupar com os EUA, onde ela é “só mais um concorrente”, e que, ao invés disso, a empresa deveria se concentrar nos mercados emergentes. “Por enquanto eles podem deixar os negócios nos EUA como estão e deixar a porta aberta para abandonar esse mercado”, disse Nguyen. A Ásia é “um mercado maior e inexplorado, onde não há concorrentes locais naturais e grandes”.

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