CPT - Centro de Produções Técnicas

As exportações de leite da Argentina cresceram 50% no primeiro trimestre de 2014 ante o mesmo período de 2013, e atingiram US$ 235 milhões, segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). O Brasil, mercado tradicional para o leite argentino, foi substituído pela China na terceira posição. O país asiático absorveu 6.056 toneladas do produto, depois da Argélia (14.812 t) e Venezuela (12.654 t). No período, o Brasil recebeu da Argentina 5.135 toneladas, volume bem distante da cota acertada de 10.800 a que a Argentina teria direito de colocar no mercado brasileiro, conforme acordo bilateral do setor privado. O acordo que estipula uma cota mensal de 3.600 t oneladas foi prorrogado na última segunda-feira (28/4) durante reunião da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação de Agricultura e Pecuária (CNA) e do Centro da Indústria Leiteira (CIL) da Argentina, em Brasília. "Queriam elevar a cota para 4.500 toneladas, mas argumentamos que não tem sentido aumentar uma cota se não podem cumprir a que já está estabelecido", disse à Agência Estado o presidente da comissão brasileira, Rodrigo Alvim. O Brasil queria reduzir o volume a 3.000 toneladas mensais sob o argumento de que a produção nacional vai crescer 10% e há dúvidas sobre se o mercado consumidor acompanhará esse crescimento. "Foi a segunda reunião. A primeira aconteceu em Rosario (Argentina), em março, e a conversa foi demorada. Mas nos comprometemos a prorrogar o atual acordo de 3.600", detalhou Alvim. "Seria melhor que o Brasil comprasse mais leite da Argentina, mas o que observamos é que vem substituindo o leite argentino pelo uruguaio", reclamou o gerente da CIL, Aníbal Schaller. Segundo ele, a pauta importadora brasileira de leite era 60% de origem argentina e 40% uruguaia, agora mais da metade é do Uruguai. Ele reconheceu que seu país tem tido problemas com atrasos burocráticos no processo de liberação de licenças de exportação e outros fatores que contribuíram para a perda de mercado no Brasil. Entre ele, os preços relativos. Enquanto o Brasil paga entre US$ 4.300 a US$ 4.800 pela tonelada, a Venezuela, Argélia e China pagam entre US$ 5.000 a US$ 5.200 por tonelada. "Nesse último mês houve uma certa reativação do comércio com o Brasil, ao preço de US$ 4.030 a tonelada", disse Schaller, ressaltando que a produção argentina também sofreu um retrocesso em torno de 2% neste quadrimestre, o que deixa menor volume disponível para exportação. O executivo observou que a indústria local está preocupada com a retração da demanda brasileira, mas admitiu que o setor exportador "busca canalizar as vendas para o mercado que paga o melhor preço". Para o setor privado brasileiro, a posição dos sócios é interesseira. "Se o consumo brasileiro dependesse do abastecimento complementar da Argentina, estaríamos com problemas", alfinetou Alvim. Ele disse que a "Argentina só entende o Mercosul como uma via de mão única". "Quando convém exportar para o Brasil, exportam tudo, mas quando não convém, como por questão de preço, exportam para outros países", apontou. Ele recordou que em janeiro de 2009 a Argentina teve problemas de excesso de leite e despejou no mercado brasileiro 10.000 toneladas. Por isso, foi feito um acordo de cotas em abril daquele ano, com um volume de 3.000 toneladas.

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