CPT - Centro de Produções Técnicas

Os preços do leite em pó voltam a registrar baixas históricas no mercado internacional. No último leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT), que tem entre seus participantes a neozelandesa Fonterra, a cotação do leite em pó desnatado teve queda de 10,1%, para um valor médio de US$ 1.702 por tonelada, o menor desde que os pregões de leite desnatado começaram a ser realizados, em março de 2010. No caso do leite em pó integral, houve queda de 13,1% no leilão, para US$ 1.848 por tonelada, o segundo menor valor desde julho de 2008, quando os leilões começaram a ser realizados. Em julho de 2009, a cotação atingira US$ 1.829 por tonelada. Os leilões da plataforma acontecem quinzenalmente e são referência para as negociações de lácteos no mercado internacional. Neste momento, segundo analistas, a grande responsável pelo recuo dos preços do leite em pó é a China, que tem reduzido as compras em decorrência de seus estoques elevados mas desconhecidos­ e do ritmo mais lento de crescimento de sua economia. "A China está desequilibrando o mundo", diz Laércio Barbosa, diretor do Laticínios Jussara. De acordo com Valter Galan, da MilkPoint, consultoria especializada em lácteos, a China tem reduzido as importações na comparação com o ano passado. Dados estatísticos da alfândega do país, compilados pela consultoria, mostram que a China importou entre março e maio deste ano, cerca de 190 mil toneladas entre leite em pó integral e desnatado. No mesmo período de 2014, haviam sido 368 mil toneladas. Mas o volume de produção nas regiões exportadoras de lácteos também pressiona o mercado, segundo Galan. Esperava­se que a queda das cotações desestimulasse a produção nessas regiões. Isso, no entanto, ainda não ocorre. Esse é o caso da Nova Zelândia, maior exportadora mundial de lácteos. Além disso, o fim do regime de cotas para o segmento na Europa tem incentivado a produção de leite na Irlanda. Outro fator são os estoques elevados, tanto de leite em pó desnatado quanto de integral, nos Estados Unidos e na Europa. O "derretimento" dos preços internacionais tem impacto sobre o Brasil, já que acaba estimulando as importações de lácteos. As compras já tiveram crescimento expressivo no primeiro semestre e devem continuar avançando, estimam analistas. Isso porque o produto importado está competitivo em relação ao nacional, mesmo com o dólar nos atuais patamares. De acordo com dados da Secex compilados pela MilkPoint, entre janeiro e junho deste ano, o Brasil importou 65.916 toneladas de produtos lácteos, 35,1% acima das 48.794 toneladas de igual intervalo de 2014. O ingresso de lácteos importados no mercado brasileiro pode pressionar os produtos nacionais. Conforme cálculos da MilkPoint, transformados em equivalente ­leite, entraram no país em lácteos importados entre janeiro e junho deste ano cerca de 522,3 milhões de litros. A produção formal de leite no Brasil em 2014 somou 24,741 bilhões de litros, segundo o IBGE. Por enquanto, o efeito das importações no mercado doméstico não é significativo, já que a oferta de matéria­-prima no Brasil ainda é restrita por causa da entressafra, avalia Laércio Barbosa, da Jussara. Ele avalia, ainda, que o consumo de leite deve estar estável atualmente, uma vez que os preços não têm tido grandes alterações, apesar da importação. Segundo Barbosa, o leite longa vida no atacado saiu de R$ 2,30 o litro no começo de junho passado para R$ 2,20, preço que se mantém há três semanas. Para Valter Galan, o "fundo do poço" para o leite no mercado internacional ainda não chegou. "A demanda está muito pequena e não há perspectiva de aumento no curto prazo. Além disso, não vejo recuo expressivo na produção", afirma ele.

Banner CHR Hansen 2020

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here